A dor de parir versos é enorme!
Igual só mesmo a de um bebé nascer.
O grito lancinante é tão disforme,
Que nem sequer dá ganas de o escrever.
Porém, mais tarde, quando em livros dorme
E até se lhe adivinha o perecer,
Talvez se torne em Sonho e, então, se forme
Esse Homem-Livre, preso no Prazer.
Mais obra, menos obra, um verso é luz,
É retórico adubo que seduz
O coração e a mente da Verdade.
E já velho, ante o olhar de sua mãe,
No berço ainda dorme, ainda tem
As chaves da prisão da Liberdade!
A “O Despertar”,
assinalando o seu 107.º aniversário.