Gosto de ver conimbricenses a terem protagonismo na política portuguesa. JOSÉ MANUEL PUREZA é o novo líder do Bloco de Esquerda. Já vi eleitos por Coimbra com pouca ligação à cidade e à região. José Manuel Pureza é um conimbricense de prestígio com provas dadas, um humanista, e apesar de ser escolha de um partido, regozijo-me com a liderança de um prestigiado conimbricense. Pode ser que também reclame pela REGIONALIZAÇÃO.
POBREZA EM PORTUGAL
Quase dois milhões de portugueses no limiar da pobreza ou em pobreza profunda no nosso país. Tanta guerra verbal, por exemplo, com o 25 de novembro e comemorações da data, uns sim e outros não, mas essas disputas verbais deviam ter sido transformadas, por exemplo, em energia canalizada para contribuírem para resolver este triste panorama do nosso país. Os idosos não podem ser despejados das suas habitações, em concreto, os que estão em dificuldades económicas. Custa-me ver portugueses que trabalham a terem de morar numa carrinha; outros a serem obrigados a morar nas periferias sem condições porque no centro urbano, onde residiram décadas, receberam ordem de despejo. Obviamente que não basta abrir as fronteiras, pois será preciso, primeiramente, ter condições condignas para alojar os que cá estão e os que chegam. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, antes da recente cirurgia a que foi sujeito, no início desta semana, afirmou a sua frustração perante os números da pobreza em Portugal, alertando para o facto de o envelhecimento da população também poder implicar pobreza. Anular a pobreza, e acabar com os exorbitantes preços da habitação e termos rendas controladas, talvez seja um caminho.
BASTA DE MORTES NAS ESTRADAS
É uma guerra nas estradas portuguesas: a sinistralidade aumenta e o sangue é derramado no asfalto. Provavelmente, iremos registar cerca de 135 mil acidentes neste ano quase a findar e registar cerca de 400 mortos nas nossas estradas dos quais cerca de 70 são jovens. Aterrador. BASTA.
OS SALATINAS
Comprei na FNAC o livro SALATINAS – Coimbra da Saudade de RAFAEL VIEIRA. Tem por âncora a Alta da cidade e os seus antigos moradores, os salatinas, que foram forçados a mudarem-se para bairros periféricos. A demolição da Alta foi um ambicioso plano do Estado Novo. O retrato dá conta da “migração forçada de uma comunidade de cerca de três mil pessoas para bairros sociais construídos além dos limites de Coimbra”. Nessa época, anos 40 e 50, foi para ampliar a zona universitária. Agora, temos casos de cidadãos a perderem as suas habitações em zonas centrais face ao aumento de rendas e a serem também enviados para as periferias. Voltarei a este livro, nestas colunas, e deixo um abraço ao autor pela obra. Aliás, os salatinas serão, certamente, leitores de O DESPERTAR.