26 de Junho de 2022 | Coimbra
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João Paulo Marques quer colocar Brasfemes no Mapa

27 de Maio 2022

Como tem sido este período à frente da freguesia de Brasfemes?

De uma forma geral tem corrido bem, mas ao longo deste período tivemos algumas dificuldades financeiras relacionadas com a transferência de verbas do Estado, que face à não aprovação do orçamento de estado deixaram de ser pagas trimestralmente, o que, de certa forma, não dá para financiar algumas das necessidades da freguesia, como a pavimentação, a construção de valetas, os problemas de correntes de água e aquedutos.

Mas tirando essas dificuldades, que não podemos controlar, temos outras fontes de receita e conseguimos acautelar parte destas intervenções, mas nem todas, como as obras que necessitam de um maior investimento nas quais dependemos do orçamento do Município.

Quais são as metas que têm traçadas para este mandato?

Todas as que sejam necessárias para manter e melhorar a qualidade de vida aos nossos fregueses. Contrariamente às freguesias de grande dimensão, nós não conseguimos definir uma política de obras, devido aos orçamentos e só aos poucos é que vamos tentando resolver o mais rapidamente possível os obstáculos que vamos encontrando. Neste sentido, abordamos o Município para nos ajudar a financiar as obras de maior dimensão que é o que os cidadãos mais anseiam, porque quem é mais próximo deles somos nós enquanto Junta e não o Município.  O papel reivindicativo da Junta também se traduz naquilo que é a nossa política, que é o bem-estar geral das pessoas, dentro de aquilo que conseguimos fazer e que fazem parte das nossas habilitações e competências.

 

Qual é a relação que a freguesia tem tido com a Câmara?

O Município de Coimbra até no que toca a projetos pequenos como a alteração de sinais que estão danificados demora imenso tempo, a burocracia envolvente é excessiva, no que concerne a projetos de qualquer dimensão. Enquanto presidente eu defendo que devemos facilitar o acesso a determinados projetos, desburocratizando-os e desmaterializando-os, baixando taxas e impostos municipais, à semelhança do que acontece com os nossos concorrentes diretos, nomeadamente os Municípios à nossa volta. Julgo que a Câmara podia ser dividida em várias secções que fossem de proximidade, repartindo-a e seccionando-a por zonas para facilitar não só o contacto com o povo como melhorar a sua qualidade de vida.

Não sentimos que o Município responda de forma célere ao que temos para desenvolver. Contudo, existem algumas pequenas melhorias, mas ainda têm um longo caminho para percorrer a fim de melhorar a sua forma de atuação para que tenhamos uma resposta à velocidade que gostaríamos de ter e os problemas sejam resolvidos rapidamente.

Considera os apoios recebidos da Câmara suficientes?

Sim, se nós nos cingirmos apenas ao que são as nossas competências, que como todos sabemos não acontece. As freguesias com as competências que têm e que acabaram por receber, como a limpeza urbana e espaços verdes, manutenção dos recintos escolares e reabilitação de equipamento urbano, o apoio é suficiente, no entanto na gestão das faixas de combustível, que somos a única freguesia em Coimbra que a faz contamos com o apoio os nossos bombeiros, desta forma o apoio torna-se insuficiente, no nosso caso em particular.

Qual é o maior projeto que tem neste momento em mãos para concretizar?

Gostaríamos de construir a Estrada da Horta da Serra, que é uma ligação que permite retirar o fluxo de trânsito de Vilarinho, mas é uma obra que não poderá ser a Junta a fazer, terá de ser a Câmara. Com o sucesso que tivemos na candidatura aos Fundos Europeu Portugal 2020, que fizemos há cerca de dois anos, vamos dar seguimento à realização de três rotas turísticas, que vamos implementar na freguesia. A Rota das Orquídeas – porque temos uma variedade de orquídeas únicas da Península Ibérica, na Serra de Ilhastro, e queríamos fazer trilho nessa zona -, vamos potenciar a Rota da Água e da Pedra, que tem a ver com o histórico e com a riqueza hídrica da freguesia, relacionando-se intrinsecamente com os fontanários e que nos vai permitir reabilitá-los. O financiamento da obra ronda os 150 mil euros e vai alterar os pavimentos com certos caminhos rurais, a reabilitação dos fontanários em geral e uma série de caminhos que atravessam a freguesia, até o leito do rio em Vilarinho. Este investimento vai permitir à Junta criar lavadouros, em Vilarinho, e espaços fluviais, onde as pessoas podem conviver com o propósito de potenciar a história da freguesia.

Que referências destaca na sua freguesia a nível de património?

A igreja matriz, a capela da Nossa Senhora da Piedade em Vilarinho, alguns fontanários, o nosso largo que tem algumas características diferenciadoras, alguns ribeiros que temos ainda de os potenciar e claro a Serra do Ilhastro.

Como é o turismo na região?

Em termos turísticos quando falo destas rotas, acho que a das orquídeas terá mais atração naturalmente, sendo apenas de índole sazonal, quando as orquídeas estão floridas. Defendo que Coimbra tem de apostar no turismo e não pode apenas programar atividades para um dia ou dois, além que não pode ser só Coimbra a ser visitada, mas também as zonas mais rurais e neste caso não estou a falar do turismo externo, mas do interno. Dou o exemplo da nossa freguesia, em que se formos hoje à Baixa de Coimbra e se perguntarmos a dez pessoas se vieram a Brasfemes, as dez dizem que não e algumas nem sabem onde é.

Quando falo em turismo, falo em darmos a conhecer as freguesias àqueles que nos são próximos e não precisamos de ir mais longe. Nós não temos nenhum ponto turístico em Brasfemes, onde possamos alojar pessoas. Temos um restaurante, cafés, pequeno comércio, mas gostaria de criar mais pontos para atrair os nossos cidadãos.

 

Repara que os cidadãos têm procurado mais a freguesia tanto para turismo como para residir?

Após a covid, e mesmo no seu decorrer, notei que fui contactado por diversas mobiliárias e verifiquei mais procura pela freguesia. As pessoas começaram a procurar um espaço que tivesse um terraço, um quintal ou um jardim e que fosse principalmente ao lado da cidade, dos serviços, entre outros. Houve muita procura não para turismo, mas para fixação e os preços dispararam, porque há menos oferta e muito mais procura.

Este ano vai ter novamente a Festa da Freguesia?

Temos todos os anos uma festa anual em homenagem ao padroeiro Mártir São Sebastião, que é organizada pela igreja e que já não ocorre há pelo menos dois anos.  Este ano há a expectativa que regresse no final de setembro. De notar que na semana de 8 a 12 de junho, para assinalar o dia da freguesia, que se celebra a 8 de junho, temos a 19ª Feira Gastronómica, organizada todos os anos pela Junta de Freguesia, em que todas as suas associações são convidadas. Neste momento temos 11 coletividades ativas na freguesia, sendo que nove vão participar no certame. Temos todas as condições para que cada associação tenha a sua barraquinha de alimentos confecionados tanto em casa como no local. Naturalmente, temos animação, em que o prato do dia é a gastronomia da região, como a chanfana, o sarrabulho, o leite creme, o arroz-doce e todas as iguarias que são aqui da nossa zona mais colada à Bairrada.

A nível de expetativa para a feira, sendo que em 2019 contabilizámos cerca de cinco mil pessoas, este ano, acredito que ainda há muita gente com receio de contrair a Sars-cov-2 e julgo que nos aproximaremos dos números de 2019, mas gostava que crescêssemos a nível de número, mas o mais sensato será apontar para os cinco mil visitantes.

 

O que os fregueses podem esperar dos seus últimos anos à frente da freguesia?

Quando fui eleito a primeira vez fiz uma promessa e não teve nada a ver com obras, mas gostava muito de ver iniciada e terminada a obra do Lar Residencial de Idosos, em Brasfemes, sendo que o Centro de Bem Estar Social de Brasfemes foi contemplado com o um financiamento no âmbito do Portugal 2020, em que o protocolo já foi assinado na sexta-feira, e desejava ver essa obra terminada antes do fim do mandato.

A ampliação do quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Brasfemes, que já está a ser projetada devido ao aumento de número de funcionários, também era uma obra que gostava de ver concretizada.

Gostaria ainda que a obra da Horta da Serra ficasse finalizada e que a rede de transportes urbanos fosse ajustada às reais necessidades da população, apesar de já ser coberta pelo SMTUC e pela TRANSDEV.

A minha promessa e o meu principal objetivo é deixar o meu cargo político na freguesia, ao fim de 12 anos, tão ou mais sério do que aquilo que entrei e não tendo prometido nada  que não fosse possível fazer, não menti às pessoas, não criei falsas expetativas ou ilusões, só assim é possível credibilizar o papel do político, fazendo-o com diálogo.

Digo mais vezes “não” do que aquelas que digo “sim”, mas prefiro dizer “não” para não criar esperanças em algo que sei que não vou conseguir fazer.

 

Quer deixar uma mensagem aos fregueses?

Gostava que os fregueses visitassem a freguesia. Se vierem que aproveitem e visitem, se possível, a Feira Gastronómica, certamente, vão querer comprar uma moradia cá e matricular aqui os seus filhos. Temos condições para todas as faixas etárias e uma qualidade de vida muito acima da média e um espírito de vizinhança que às vezes resolve muito mais do que aquilo que são as necessidades urgentes das pessoas.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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