À vista desarmada, o título em epígrafe parece ser, apenas, um título.
Mas não.
Seria o primeiro verso de um poema que estaria prestes a acontecer ao poeta, visando a defesa dessa Classe tão maltratada que é a dos professores. Atentemos só na forma daquele que, aparentemente, seria o primeiro (quiçá o último) verso de um soneto. Estamos perante um decassílabo heróico, já que as sílabas acentuadas são a 6.ª e a 10.ª…
Resolvi, então, “abortar” o plano inicial, ou seja, partir para um texto em prosa, em detrimento de um poema, a fim de evitar pruridos literários e/ou exigências clássicas meramente formais.
É que, em termos de conteúdo, parece-me bastante pertinente unir a minha voz a tantas outras que os políticos tentam amordaçar, sejam eles do PS, PSD ou CDS. Basta reconhecer que, em uníssono, Alexandra Leitão, Teixeira dos Santos, Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira e António Lobo Xavier “desataram à bofetada” aos professores, no âmbito de dois programas televisivos da TVI, para os quais os protagonistas das ofensas aos docentes deverão ser muitíssimo bem pagos.
Mais uma vez, os docentes foram agredidos, através de palavras, na proporção direta dos polémicos cartazes que um “reduzidérrimo” número de pessoas ostentou no Peso da Régua, aquando das comemorações do “Dia de Portugal”.
Independentemente de tudo, se me perguntarem: “essas pessoas eram mesmo professores?”; “terão elas ultrapassado os limites aceitáveis da liberdade de expressão?”; “não teriam sido contratadas, anonimamente, no sentido de o primeiro-ministro poder auferir da simpatia e compreensão da população em geral?”, eu respondo: “não sei!”, pois acho deveras estranho que verdadeiros pedagogos deitassem tudo a perder num momento tão crucial das suas vidas como este que ESCREVIVEM. Como seria possível colocarem no lixo 6 anos, 6 meses e 23 dias da sua existência profissional, em troca de uns instantes mediáticos/políticos de mera bagunça de “banda desenhada”?
“Vamos lá ver!”/ “Dito isto,” (tais expressões irritam-me sobremaneira, atendendo ao facto de serem, amiúde, utilizadas pelos políticos) há que reconhecer que seria pouco provável – para não dizer impossível – professores (que lutam pelos seus direitos) fazerem uma autêntica “perseguição” a Carlos Costa, desde o instante em que este aparece frente à mole de gente (pegando nos famigerados cartazes) até ao derradeiro momento em que o mesmo entra num restaurante.
Eu – e falo por mim – não o faria. Porquê? Porque, sendo professor, jamais poria em risco a credibilidade de toda uma Classe que tem nas mãos o futuro das Crianças e dos Adolescentes deste país.
Deixemo-nos de hipocrisias! Então, só porque umas quantas pessoas se lembraram de dar mais ênfase icónica, hiperbolizando/caricaturando as feições do verdadeiro agressor à dignidade de todos quantos têm vindo a ser roubados por sucessivos governos, é que passamos a não dar razão a quem, irrefutavelmente, a tem?
Haja alguém que defenda os professores!