25 de Maio de 2026 | Coimbra
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Há voluntários unidos no apoio às mulheres com Cancro – “Todos por Todos”

13 de Maio 2022

Núcleo Regional do Centro incorpora o maior grupo de voluntariado comunitário organizado no âmbito da Liga Portuguesa Contra o Cancro, tendo sido pioneiro na criação do Programa de Rastreio do Cancro da Mama.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) – Núcleo Regional do Centro (NRC), com sede em Coimbra, surgiu no final dos anos 60, e foi pioneira na realização de rastreios de cancro no país.

“Foi aqui que começou o rastreio do cancro da mama, do cólo do útero e do cólon e do reto, que hoje também se estende a outras zonas”, começa por contar a Coordenadora Nacional da Psico-Oncologia e do Apoio Social da LPCC, Natália Amaral ao explicar que a iniciativa, cujo primeiro ensaio se realizou em Condeixa, pelos médicos do Instituto de Oncologia, Rocha Alves e Dário Cruz, “que consideraram que as mulheres chegavam com cancros muito avançados e os tratamentos eram mínimos”.

A partir daí, diz a também membro da direção do Núcleo Regional do Centro, surgiu a ideia de realizar rastreios de base populacional e com instrumentos daquela altura. “O mamografo era montado numa carrinha itinerante”, recorda.

Todos os concelhos da zona Centro foram visitados. Em 2010, estava implementado o rastreio do cancro da mama por toda a Zona Centro, seguindo aos poucos para as Regiões Norte e Sul do país, sendo que “este último ainda não tem cobertura total”.

Mas inicialmente para que este Rastreio chegasse até à população era necessário fazer chegar a informação “para impulsionar as mulheres a realizarem o exame de diagnóstico”.

“Este trabalho era feito, muitas vezes porta a porta, pelos voluntários da comunidade, mas à medida que fomos caminhando deixámos de fazer esse passámos a enviar por carta os convites à mulher para participar no rastreio e alguns dias antes telefonamos a relembrar”, explica Natália Amaral.

Antigamente eram realizados numa única viatura – hoje são nove as Unidades totalmente equipadas em circulação por esta causa. “O mamografo é de última geração e temos sempre a presença de profissionais, entre os quais, uma técnica de radiologia, que realizam os exames”, refere a membro da direção ao mencionar que cada uma das carrinhas, que passam de dois em dois anos, têm um investimento a rondar os 350 mil euros.

O papel do pilar da LPCC, os voluntários

Com o avançar dos procedimentos, o trabalho de porta a porta, que era feito pelos voluntários “que são o nosso pilar”, começou a diminuir, pelo que começaram a dedicar-se a outras iniciativas, como as ações de sensibilização. Atualmente, são 78 grupos que integram a LPCC, com cerca de seis elementos cada, totalizando perto de cinco centenas de voluntários unidos pela causa do cancro da mama.

“Estes grupos são ativos nas ações de sensibilização para a prevenção do cancro e referenciam-nos muitas vezes doentes que necessitam de apoio, seja social, seja psicológico, entre outras necessidades”, acrescenta.

Além deste trabalho, existem ainda os voluntários hospitalares, cerca de 150, distribuídos pelo Instituto Português de Oncologia (IPO) e pelo Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC).

A Liga Portuguesa Contra o Cancro conta ainda com o testemunho de mulheres sobreviventes do cancro da mama, “que são os voluntários de entreajuda, que ajudam outras pessoas que se encontram na mesma situação”.

O apoio psicológico gratuito é outra das vertentes de apoio disponível para os doentes oncológicos e os seus familiares, bem como a ajuda nas diversas necessidades desde transporte, medicação, alimentos frescos e até na renda de casa. “Temos ainda o apoio jurídico, que tem tido uma grande procura, nomeadamente no pedido do atestado Multiusos, que por vezes se atrasa nas Juntas Médicas”, sublinha Natália Amaral.

Mas como (sobre)vive esta associação?

Através do peditório anual que realizamos entre fins de outubro e início de novembro e também de algumas iniciativas de angariação de fundos que nos permitem algum folgo para podermos executar todo este trabalho”, destaca a Coordenadora Nacional da Psico-Oncologia e Social da LPCC.

Neste momento, também se encontra a decorrer a campanha da consignação de IRS, em que cada um pode consignar 0,5% do seu IRS a favor da LPCC, sem que tal implique receber menos imposto ou pagar mais.”

“Se a população participa e confia, nós vamos devolver à comunidade esse gesto solidário, através dos rastreios, dos apoios e da ajuda material (aquisição de cadeira de rodas, cama articulada, entre outros equipamentos)”, disse a membro da direção conimbricense, apelando à ajuda, pois “se cada pessoa nos der um euro, durante o peditório, faz toda a diferença”.

Atualmente, a LPCC está a dinamizar a campanha de apoio a refugiados, em que “recebemos sete crianças, que são distribuídas pelos três IPO, e três mulheres que têm possivelmente cancro da mama”.

 

O voluntariado em tempos de pandemia

Durante o período de confinamento, provocado pela pandemia da covid-19 que assolou o país, a LPCC do NRC não baixou os braços e a solidariedade pela nobre causa do cancro da mama não parou, embora em moldes diferentes.

“Temos voluntários no IPO e nos CHUC, os quais disponibilizam alimentos aos doentes que estão nas consultas, mas durante o confinamento empacotámos os produtos em saquinhos com os alimentos (sumo ou leite, um pacote de bolachas de água e sal e uma água) para que as pessoas se pudessem alimentar enquanto esperavam”, realça Natália Amaral.

A nível de rastreios, refere, em vez das 60 pessoas diárias, realizámos o exame a cerca de 30, “dado os cuidados exigidos, como a desinfeção do espaço, o cumprimento da distância de segurança e todas as outras normas, que levou a algum atraso na realização dos exames”.

“Adquirimos uma nova viatura de forma a colmatar este atraso e a colocar a lista de mulheres rastreadas em ordem”, acrescenta.

 

Cancro com tendência a aumentar este ano

O número de mulheres doentes oncológicas aumentou este ano face a 2021 na região abrangida pelo NRC. “Este ano, apenas nestes quatro meses, já vamos com 301 doentes oncológicos e 930 apoios, pois cada utente pode precisar de mais do que uma ajuda”. Em 2021, foram recebidas 481 pessoas e disponibilizados 1.366 apoios.

“As percentagens estão distribuídas quase por todas as localizações, sendo a maior causa a próstata e a mama e agora, com o confinamento, tem aparecido o pulmão em fase muito avançada e o cólon retal”, esclarece Natália Amaral ao afirmar que “quanto mais precocemente se fizer o diagnóstico maior é a sobrevida, além da qualidade de vida que damos ao doente”.

Neste momento, conclui, o número de mulheres com cancro da mama “é elevado, mas a taxa de mortalidade também diminuiu, bem como da próstata, mas o mesmo não podemos dizer do pulmão, que tem uma alta incidência e o número de mortes elevado.


  • Diretor: Lino Vinhal

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