Eu já tive vontade de ir embora
Deste palco sem luzes, desigual;
De bater com a porta a qualquer hora
E dizer o papel noutro local.
De fugir da ribalta e deitar fora
As flores que recebi – gesto banal
De quem “bis” pede, sem saber que chora
A alma que ri dentro, teatral.
Eu já tive vontade de ser eu
No afã de Julieta e de Romeu,
Eternamente sós, no mesmo leito.
De me aplaudir e até de me vaiar,
Só por nunca ter feito de outro par,
Nem apenas, sequer, de mim ter feito!