ZECA AFONSO, 96 – Nasceu, em Aveiro, a 2 de agosto de 1929. Completam-se, amanhã, 96 anos. É um dos nomes maiores da música portuguesa. A sua grandeza advém das composições que criou, da sua voz e de uma postura progressista marcante, antes e depois de Abril. O município de Coimbra, em maio de 83, atribuiu-lhe a medalha de ouro da cidade. Embora avesso a honrarias, ZECA AFONSO aceitou o convite e esteve no Jardim da Sereia que foi pequeno para escutar as canções e as mensagens que deixou, particularmente aos jovens. Associou-se, na festa em palco, uma plêiade de cantores e instrumentistas. Mendes Silva, então presidente do município, entregou a chave da cidade a Zeca Afonso e disse-lhe: VOLTA SEMPRE, A CASA É TUA. Urge fazer mais para preservar em Coimbra, a vida e obra, a memória de Zeca Afonso. Felizmente estão vivos alguns dos que privaram com Zeca com referência particular para o médico que o acompanhou, à viola, o talentoso Rui Pato. Se Coimbra é a Casa do Zeca é preciso fazer mais pela memória do enorme JOSÉ AFONSO. Que nessa noite nos disse: “Estou comovido pela participação popular que vejo neste recinto. Estou grato de ver os meus velhos amigos de Coimbra. Eles fazem parte da minha vida, assim como esta cidade, que foi para mim palco de coisas muito importantes e decisivas, nomeadamente, a luta contra as autoridades, que tiveram lugar especialmente na universidade. Nessa altura fazia as minhas opções ideológicas” (…) “Ter-me-eis sempre à vossa disposição, quando necessitardes e solicitardes a minha presença”.
ANDRÉ, O RONALDO DA PESCA DE ARTE XÁVEGA, NA LEIROSA – Este epíteto de RONALDO com que mimoseamos portugueses de excelência, envolveu, por exemplo, o até agora Governador do Banco de Portugal. Chamaram-lhe o Ronaldo das Finanças. Encontrei na Praia da Leirosa outro Ronaldo, o da Arte Xávega. Jovem, na casa dos vinte, conduz o trator a puxar o barco Estrela do Mar bordejado a vermelho que conflui na proa com um um verde escuro que nasce no lastro. As redes vão saindo, arrastadas do mar, e abraçam-se, em rodopio, no grande saco que formam e no qual saltita o pescado a beijar a areia quente da costa, nestes dias tórridos, ante o olhar de vários pescadores desta companha. Só lá na ponta é que se vê o resultado da faina e não sendo famosa trouxe muito carapau, duas raias e outras espécies que não distingo. Junto à lota, assente num vasto oleado entre o rosado e o roxo, já esperam as caixas coloridas para recolherem o peixe que vai ser leiloado. André, sempre, e em constante azáfama, vai percorrendo diversas tarefas. Até que surge o pregão da venda: 10, 10, 10,9, 9, 9, é para ali. Olho com inequívoca avidez para uns jaquinzinhos sem saber se vão ou não à lota. E o André continua a multiplicar-se em ação entre o grupo de pescadores e interessados compradores, tez bronzeada pelo sol, no mourejar de um quotidiano que é tradição e também é turismo. ANDRÉ é um destes portugueses que trabalha muito bem e com profunda eficiência. É o RONALDO DA ARTE XÁVEGA. Talvez nunca receba uma menção honrosa ou medalha de bons serviços, mas merecê-la-ia.
MARIA JOSÉ CARDOSO ABRANTES – A minha vizinha, ou melhor, vizinha de décadas dos meus pais, vai completar neste domingo, dia 3, 103 anos. Leu bem e até escrevo por extenso: são cento-e-três anos. PARABÉNS em meu nome e, admito, em nome do jornal O DESPERTAR, para esta ativa conimbricense, ambos com uma idade “parecida” e a gostarem muitíssimo de Coimbra. Viva a longevidade.