14 de Maio de 2026 | Coimbra
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Fabiana Brito: “A música é o meu lugar seguro”

14 de Novembro 2025

Aos 22 anos, Fabiana Brito vive um dos momentos mais marcantes da sua vida artística. A jovem cantora, natural de Coimbra, venceu a prova cega do programa The Voice Portugal, conquistando o público e os mentores com a sua “voz doce” e a emoção com que interpreta a música portuguesa.

Em entrevista à Radio Regional do Centro e ao Jornal O Despertar, Fabiana Brito contou como a sua participação no programa tem sido uma experiência transformadora e repleta de aprendizagens.

Curiosamente, a jovem de Ceira inscreveu-se, pela terceira vez, depois de um erro técnico do programa. “Eu este ano não era para me candidatar, vou confessar. Recebi um e-mail da produção a dizer que estava aceite para o casting presencial e fiquei muito espantada porque eu não me tinha inscrito”, conta entre risos.

Pouco depois, descobriu que se tratava de um engano do sistema, mas o episódio acabou por servir de sinal. “A minha família disse-me que talvez fosse um sinal, que podia ser desta vez. E eu decidi acreditar”, recorda.

A aposta valeu a pena. Fabiana Brito chegou às provas cegas e, pela primeira vez, viu duas cadeiras virarem. “Foi uma sensação incrível. No momento em que as portas se abriram e eu percorri o corredor até ao microfone, aí sim, o nervosismo bateu forte. Mas depois comecei a cantar e tudo fluiu naturalmente”.

A escolha de cantar em português

A participante do The Voice Portugal apresentou-se ao público com uma música portuguesa, “Dilúvio”, da A Garota não, um detalhe que não é por acaso. “Eu canto maioritariamente música portuguesa porque gosto bastante. A minha família dizia-me que a minha voz soava diferente quando cantava na nossa língua, então comecei a explorá-la mais”, explica.

Durante a sua atuação, recebeu uma surpresa emocionante: um vídeo da própria artista da canção escolhida. “Foi uma surpresa total. As palavras dela tocaram-me muito e senti que se aplicavam ao meu percurso. Há uma frase que ela disse e que nunca mais vou esquecer: ‘É importante termos portas fechadas para ganharmos força e aprendermos a arrombá-las’”.

Nesta fase das provas cegas, duas cadeiras se viraram: a dos artistas Calema e a da Sónia Tavares, mas Fabiana Brito já sabia o caminho a seguir. “Eu já trazia uma decisão de casa. Sempre admirei a Sónia Tavares, é um ícone da música portuguesa e identifico-me com o estilo dela”, confessa.

A escolha acabou por ser confirmada também pelo que sentiu no momento. “Ouvir as palavras dela, sentir a energia e o entusiasmo com que falava de mim aqueceu o coração. Deu-me aquele empurrão para a escolher sem hesitar”.

 

O valor das aprendizagens

A jovem artista entrou no último dia de gravações das provas cegas, com o peso de saber que as equipas estavam quase completas. “Já sabia que podia não haver muitas vagas, e isso deixa-nos ainda mais nervosos. Mas decidi viver a experiência de forma leve. Pensei: o que tiver de ser, será. E correu bem”, recorda, com um sorriso.

Para além da visibilidade, a conimbricense destaca o ambiente de entreajuda entre os concorrentes nos bastidores do programa. “O mais bonito é que, apesar de ser uma competição, lá atrás é tudo boa energia. A malta apoia-se muito, troca experiências e conselhos”.

Sobre a mentora, não poupa elogios. “A Sónia Tavares é uma mentora incrível. Partilha muito da sua experiência, diz-nos que nada neste programa define o nosso percurso musical e que é importante manter os pés na terra”.

Uma vida entre a guitarra e a voz

O gosto pela música nasceu cedo. “Comecei aos seis anos, com aulas de guitarra. Mais tarde juntei a voz e percebi que encaixava bem. Nunca tive aulas de canto, mas fui aprendendo sozinha”, conta Fabiana Brito.

Depois de várias experiências em escolas de música e projetos locais, a jovem decidiu seguir o seu caminho a solo. “Comecei a atuar num bar na Praça da República e foi lá que ganhei confiança para continuar”.

Além da música, Fabiana estuda Comunicação Social, mas o seu futuro ideal está bem definido. “Gostava mesmo que a música fosse o meu plano A, e o único plano. Sei que é difícil, é uma área precária, mas se conseguir conciliar as duas áreas já ficarei feliz”, afirma.

Com músicas autorais já lançadas e outras a caminho, a artista quer continuar a compor e a partilhar o seu universo sonoro. “As minhas canções falam muito sobre o amor, em todas as suas formas. Escrevo sobre o que sinto, sobre histórias reais ou inventadas. A música é o meu lugar seguro, é onde me encontro comigo mesma”.

Com a doçura das palavras e a maturidade de quem vive intensamente cada nota, Fabiana Brito mostra-se pronta para o que o futuro lhe reserva. “Estou aberta a novas oportunidades, quero cantar para mais públicos, conhecer outros contextos e evoluir enquanto artista”, diz.

 


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