23 de Junho de 2021 | Coimbra
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VASCO FRANCISCO

Extremos

28 de Maio 2021

As capas dos jornais decoram os quiosques de política e futebol. Enquanto o verde e branco ainda prevalece nas folhas desportivas, as capas continuam a dar retrato a imagens que qualquer artista desmaiaria ao pintar. Além de uma economia totalmente esburacada num país cada vez mais “prófundo”, há caras que transmitem nitidamente o caminho da Justiça e uma definição oculta aos olhos desta, a corrupção. Entre filósofos e literatos dos mais vastos impérios e países, a justiça sempre se apresentou como um pilar fulcral de balança na mão, ressalvando que dela parte a equidade, o equilíbrio e a ponderação. Thémis (Deusa da Justiça) sempre se viu de olhos vendados, pela igualdade e imparcialidade, no entanto essa venda foi-se rompendo com o tempo. A consciência de quem orienta a espada, símbolo de força e de ordem, não é de todo a mais prudente ao civismo e aos valores democráticos. É de lamentar que os ideais da justiça não se assistam nos dias de hoje como até o filósofo da antiga Grécia defendera, mas mudaram paradigmas e ações que levam a consequências esquisitas e frustrantes e seria talvez ofensa aqui chamar o nome de “Sócrates” em vão.

Isto é Portugal? Eis uma das questões que se levantam a cada operação dessas levadas a cabo anos a fio, em que se somam centenas de folhas em processos que são autênticos “molhos de brocas”, mais propriamente, “molhos de milhões”. Empresas falsas, contas offshore, desvio bruto de capitais, documentação falsa, entre tantas dessas “lengalengas” que os nossos governantes e demais, os da capital e vilarejos, já começam a saltear de trás para a frente.

Por muito que o povo lave o dinheiro este não lhe aumenta nem lhe fica mais claro, mas há quem lhe saiba dar boas lavagens, dessas em águas escuras, seguindo mais tarde aos tribunais para uma barrela onde se cora, mas se sai em branco. O povo entende, embora esses réus ainda achem que “O povo é um burro manso”, a verdade é que quando tem apoio e “se enerva até dá coices nas estrelas”. Somos um país pacífico, sou pacífico entre vós, mas é triste vivermos numa nação onde um indivíduo que por necessidade, se rouba para comer vai preso, e esses que roubam “o nosso” por luxúria e prazer são muitas das vezes ilibados.

As notícias de corrupção e esquemas fraudulentos invadem os meios digitais, enquanto grupos de adolescentes de uma nova geração, atravessam a rua à cronometragem dos semáforos com os olhos embutidos nos telemóveis. Parecem que os passos lhes conhecem as ruas, compassados pelo deslize de dedos sobre uma era digital que os persegue e os torna portadores de um vício socialmente desastroso. O que será a sociedade do futuro com exemplos do género, onde se roubam milhões e ninguém é culpado?

Esta e outras perguntas, em próximos episódios de um Portugal ofuscado onde a igualdade e a justiça estão longe de se compor.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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