31 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Explorastórias: o projeto onde a história acaba e a ciência começa

14 de Fevereiro 2025

No UC Exploratório – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, as histórias infantis são o ponto de partida para explorar a ciência que se esconde nas páginas dos livros. Através do projeto “Explorastórias”, centenas de crianças, entre os 3 e os 9 anos de idade, têm a oportunidade de fazer descobertas e realizar experiências inspiradas em obras literárias. Um programa que decorre, anualmente, de janeiro a junho, numa primeira fase, e, posteriormente, entre setembro e dezembro.

A iniciativa teve início em 2015, numa altura em que o UC Exploratório sentiu a necessidade de atrair famílias para o espaço, mas não só. “Queríamos também dar uma contribuição para o aumento da cultura científica e para o interesse e motivação pelas áreas científicas”, recorda Catarina Reis, responsável pelo programa “Explorastórias”, em declarações ao “O Despertar”.

Nesse sentido, domingo sim domingo não, o UC Exploratório apresenta duas sessões para famílias, que pretendem dar a conhecer livros infantis já publicados. Os temas vão desde a geologia à astronomia, passando ainda pela botânica, pela física, entre outros. “Tentamos promover diferentes áreas científicas, porque temos muitos exploradores regulares e sabemos que eles gostam de trabalhar temáticas diferentes”, acrescenta.

Cada sessão inicia com a apresentação da obra e termina com a frase “a história a acabar, a ciência a começar”. Isto significa que é hora de praticar o que as palavras ensinaram nos diferentes espaços do UC Exploratório. “Tentamos sempre fazer essa exploração em ambientes distintos e fazemos um conjunto diversificado de atividades”, revela Catarina Reis.

Além da componente familiar, o programa também acolhe as escolas. Nesse caso, os guiões têm de ser adaptados à quantidade de alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo. “Usam-se os mesmos livros, os conceitos científicos também são os mesmos, mas as metodologias utilizadas têm de ser ligeiramente adaptadas” esclarece.

 

Mais de 600 sessões realizadas

Desde a sua génese, pelo “Explorastórias” já passaram 57 livros. O número só não é superior, porque uma parte das leituras é repetida para que todas as crianças tenham a hipótese de explorar cada obra. As escolhas literárias ficam a cargo do UC Exploratório que conta com uma parceria com a livraria “Faz de Conto”.

Esta está instalada no espaço, o que possibilita que a livreira Sofia auxilie na tarefa de selecionar novos autores. “Ou ela nos mostra um livro que acha que tem bons conteúdos para explorarmos, ou nós temos um tema científico que gostávamos de trabalhar e pedimos a colaboração dela para nos ajudar a encontrar a melhor obra”, conta Catarina Reis.

Entre o alternar de livros novos com livros já analisados, desde 2015, o “Explorastórias” já realizou mais de 600 sessões. Destas, mais de 275 foram desenvolvidas com as famílias, e cerca de 390 com as escolas. De acordo com a responsável pela iniciativa, os dados não podiam ser mais positivos. “A adesão tem sido crescente (…) também notamos que já vamos naquilo a que chamamos ‘uma terceira geração’ de exploradores”.

Para além disso, com o passar dos anos, os pequenos vão-se tornando adultos e, consequentemente, a querer experimentar outras facetas do UC Exploratório. “Muitos deles são agora frequentadores de outros programas que temos para faixas etárias seguintes”, afirma. Uma realidade que agrada ao projeto, já que “um dos nossos objetivos é motivar as crianças para atividades da ciência e, nitidamente, estamos a conseguir”.

 

Adultos também aprendem

O conhecimento e o interesse pela área científica, bem como a motricidade são algumas das mais-valias que o “Explorastórias” oferece aos seus participantes. Não obstante, “também estamos a estimular a aprendizagem, de uma forma lúdica, de um método científico. As crianças têm de aprender a capacidade de observação, o questionamento, o perguntarem-se como é que aquilo aconteceu e tentarem encontrar uma solução”, sublinha Catarina Reis.

Por outro lado, o gosto pela leitura não textual e gráfica também é trabalhado. “Muitos autores defendem, e nós também, que a promoção da ciência e dos livros deve ocorrer antes da aprendizagem da leitura e da escrita: quando as crianças estão numa idade em que têm maiores competências para adquirirem esta motivação e o interesse”, salienta ainda.

Os pais parecem estar cada vez mais sensibilizados para essa questão, já que integram os seus filhos neste tipo de projetos cada vez mais cedo. E se no início do “Explorastórias” os pequenos que mais o frequentavam tinham entre 6 e 7 anos, atualmente, “temos mais crianças de 3 e 4 anos a participar neste programa”.

Engane-se, no entanto, quem acredita que só os mais novos aprendem com a iniciativa. A verdade é que, ao acompanharem as crianças, também os mais velhos usufruem desta experiência. “Há muitos adultos que vêm e que nunca olharam para um microscópio, ou que nunca pegaram numa pipeta. Ou seja, também eles aprendem coisas”, admite a responsável.

Os resultados são, assim, reveladores do sucesso do “Explorastórias”. A estes dados, junta-se ainda o facto de, no final do ano passado, o programa ter vencido o Prémio Ler+, atribuído pelo Plano Nacional de Leitura 2027. Uma distinção que representa um reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo UC Exploratório. “Receber esse prémio na categoria ‘Educação’ foi, para nós, um orgulho muito grande”, conclui Catarina Reis.


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