14 de Março de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

EM TEMPO DE FOGUEIRAS DE SÃO JOÃO FAZ-NOS FALTA O MAESTRO JOSÉ ELISEU

16 de Junho 2023

“Santo António já se acabou…”. Bom! O São João – rima – ainda não! Talvez seja este o mais divertido em Coimbra, na Figueira, na Lousã e noutras localidades fora da nossa região. Porto e Braga, neste aspeto, marcam pontos e grande festa. Alhos porros, balões e martelinhos. Por Coimbra sempre tivemos um gosto grandioso por dançar e saltar as FOGUEIRAS e, em especial, as FOGUEIRAS DE SÃO JOÃO. Há algumas décadas os conimbricenses saltavam as fogueiras não apenas na ALTA sob MANDADORES consagrados, mas nalguns bairros até periféricos. No Loreto, em Santa Clara, em Celas, em várias zonas da cidade onde se instalava um palanque com uma árvore no meio ou um mastro ao centro e donde saiam ramificações que iam prender em casas vizinhas; ou mesmo só uma simples fogueira para saltar. E dançar. Porque o importante era dançar e dançar de roda. E, às vezes, abraçadinhos. Com mandadores o espetáculo era notável dizendo estes em alta voz e marcando a coreografia: faz isto e aquilo e rodam homens e agora as mulheres e vai ao centro e vai de roda.  Surgiram, nessa época, segundo o conceituado historiador NELSON CORREIA BORGES, várias composições do consagrado compositor JOSÉ ELISEU que foi o autor da celebérrima BALADA DE COIMBRA. Esta, numa fase inicial, surgiu-nos como uma peça instrumental até a fechar as SERENATAS MONUMENTAIS DA QUEIMA. JOSÉ MESQUITA creio ter sido o primeiro cantor de Fados de Coimbra a gravar este tema cantado, aliás muito bonito; e outros cantores lhe seguiram os passos. Deixo o meu abraço ao ZEZÉ ELISEU, seu neto, que tem defendido, intransigentemente, a autoria deste e doutros temas criados pelo seu profícuo avô. Voltando ao São João, vai de roda, meia volta, mulheres ao centro e evocamos: o Largo do Romal era área privilegiada para a dança nos palanques neste tempo festivo. Até no Pátio da Inquisição se bailava pelos Santos Populares com as sonoridades a entrarem pelos ouvidos de quem trabalhava nos jornais GAZETA DE COIMBRA e neste nosso O DESPERTAR, um intransigente defensor dos interesses de Coimbra, um objetivo que não podemos perder de vista mesmo quando percorremos freguesias daqui, dali e dacolá. O jornal O DESPERTAR tem um espaço próprio. Não sei se tem atualmente muitos leitores jovens, mas tem jovens jornalistas que lhe emprestam uma frescura que sabe bem a esta publicação regular e centenária. Refresca-a. Importa cuidar da sua distribuição, colocar o jornal, objetivamente, nas mãos dos leitores para que sintam Coimbra através das páginas de O DESPERTAR. E, este, sempre grande em credibilidade, ao preocupar-se cada vez mais com Coimbra e a chegar a uma grande parte da população da nossa cidade e região cumpre o seu objetivo. Virando-se para Coimbra. Querendo saber mais e melhor sobre esta urbe no seu todo e não apenas a Coimbra universitária, mas daquela cidade que é feita também de gente de trabalho árduo, e aí incluo o operariado. Julgo que ninguém levará a mal se escrever que esta nossa cidade é feita de uma prestigiada Academia e de futricas como de estudantes e de tricanas porque é uma Coimbra de todos e para todos. E vai de roda. Agora é que me maneio. Ai balancé, balancé. Agora é que é: são os Santos Populares.

 


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