8 de Março de 2021 | Coimbra
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Direção Geral da AAC analisou impacto do confinamento na academia

19 de Fevereiro 2021

A Associação Associação de Coimbra (AAC) apresentou, na sexta feira, na sua sede, as conclusões de um estudo que realizou, ao longo dos últimos 10 meses, sobre o impacto do confinamento na Academia, procurado analisar os efeitos da pandemia na saúde mental dos estudantes, no seu desempenho académico e na capacidade financeira do agregado familiar dos alunos e também os efeitos sofridos na instituição.

O estudo é dividido em duas partes, sendo que a primeira aborda o impacto do confinamento nos estudantes da Academia e a segunda reflete o impacto que o confinamento teve na AAC enquanto instituição e nas suas atividades culturais, desportivas e políticas.

A amostra deste estudo contou com respostas de cerca de 1500 estudantes.

Umas das conclusões que o presidente da AAC, João Assunção, destaca prende-se com a saúde mental, nomeadamente com o facto de cerca de 20 por cento dos inquiridos ter referido que tiveram pelo menos uma vez pensamentos suicidas, durante o confinamento.

“As causas são muito plurais: a incapacidade que o confinamento traz de manter as relações interpessoais, a situação económica e financeira e a expectativa do desempenho académico que cada estudante tinha e que pode ser gorada”, explicou o dirigente estudantil.

“Os estudantes sentiram-se, na sua maioria (98 por cento) emocionalmente fragilizados, revelando sentirem-se nervosos, ansiosos, depressivos durante o período de confinamento”, admitiu João Assunção.

Apesar disso, a maioria não procura ajuda profissional na área da saúde mental, sendo os principais motivos as dificuldades económicas, a vergonha e a dificuldade em encontrar esse apoio.

Já no que toca ao desempenho escolar, oito em cada 10 alunos afirmaram que tiveram resultados abaixo do que esperavam em grande parte das provas que realizaram já durante o período de confinamento e ainda cerca de 30 por cento assumiram dificuldades em suportar as despesas com a habitação. Um em cada 10 admitiu ter dificuldade em suportar pagamentos relacionados com a propina.

“Uma das comunidades mais afetadas nesta crise é a comunidade internacional. Os estudantes internacionais, por estarem distantes da sua origem, do seu núcleo familiar, são os mais prejudicados e os que estão mais fragilizados”, alertou João Assunção.

O presidente da AAC salientou que a crise económica associada à pandemia poderá afetar em grande medida a permanência de muitos estudantes no ensino superior.

“Sete em cada dez estudantes, durante os períodos de confinamento, consideraram pelo menos por uma vez abandonar o ensino superior”, disse, considerando que este resultado deve preocupar as instituições e o Governo.

Dessa forma, a AAC já definiu algumas medidas que pretende ver estabelecidas, de modo a evitar esse abandono. “É fundamental uma fixação do valor da propina por parte dos estudantes internacionais, mas também a nível nacional a continuação da diminuição progressiva do valor da propina do primeiro ciclo de estudos, bem como a fixação de um teto máximo a pagar pela propina do segundo ciclo de estudos”, refere.

Na segunda parte do estudo, a AAC pretende demonstrar como a crise pandémica está a afetar a instituição em termos económicos, mas também prejudicando as suas atividades culturais, desportivas e políticas.

A covid-19 provocou uma enorme crise económica na AAC que pretende um maior apoio do Governo às associações estudantis. De acordo com João Assunção, o prejuízo é “de mais de meio milhão de euros nos últimos 10 meses”.

“As perdas centram-se sobretudo na falta de receitas pela não realização das festas académicas (cerca de 300.000 euros), mas também na “quebra abrupta de rendimento dos bares” da AAC, no não pagamento de rendas dos concessionários do edifício da associação e nos custos na compra de material de proteção, referiu o dirigente estudantil.

A AAC “tem uma grande dificuldade em termos financeiros, também pela falta de apoios vindos do Governo”, em que uma portaria veio alterar a forma de cálculo do apoio e “diminuiu drasticamente” a verba transferida por parte do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), afetando todas as associações estudantis. “O futuro dependerá muito do apoio do Estado, que não se devia alhear disto”, sublinhou.

João Assunção espera que já este ano “seja possível realizar a Queima das Fitas, ainda que em moldes distintos de edições passadas e noutras datas, por forma a garantir algumas receitas fundamentais não apenas para a Direção-geral da AAC mas, sobretudo, para as secções culturais e desportivas e núcleos de estudantes da associação”.

“As secções desportivas registaram uma perda de 500 atletas nos escalões de formação, as secções culturais perderam a capacidade de cativar novos associados”, destacou o presidente, anunciando que “o próximo passo a tomar vai ser marcar uma audiência com todos os grupos parlamentares e apresentar os resultados deste estudo”.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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