São 107 anos. O Despertar está a celebrar uma data que é importante na vida de qualquer instituição e a nós nos merece muito respeito.
Ao longo de todos estes anos, o Jornal tem construído o seu caminho, mas não o faz sozinho. É através da proximidade com Coimbra e, sobretudo do envolvimento com os seus leitores que o caminho se tem feito de forma harmoniosa e partilhada.
Falar da história de O Despertar é também falar de um outro centenário, o Café Santa Cruz, com 101 anos, outra instituição de que Coimbra se orgulha e muito considera.
Durante largos anos, estas duas instituições centenárias cruzaram diariamente os seus caminhos. Localizado durante muitas décadas na Baixa de Coimbra, o Despertar tornou-se um “vizinho” assíduo do Santa Cruz e muitos jornais se fizeram nas mesas deste café em tertúlias que muitas vezes alimentavam o Jornal e forneciam as “mais quentinhas” de cada edição.
“O Despertar esteve largos anos sediado na Baixa e portanto existia uma proximidade entre o Café Santa Cruz e o Jornal, que era uma coisa tão simples como aquela que se faz hoje. O Sr.º António de Sousa (um dos proprietários na altura) vinha aqui ao café e perguntava: Vítor, vamos colocar um bonequinho (logotipo) do café no Despertar desta semana?”, começou por contar Vítor Marques, sócio gerente do Café Santa Cruz.
Para o responsável, o facto de terem estado muito próximos a nível de localização permitiu criar, para além dos laços profissionais, uma ligação de amizade. “Há uma coisa interessante, o Despertar foi o único Jornal sediado na Baixa que ainda hoje está a funcionar. Fruto desta longevidade jornalística independente permitiu esta proximidade com o Café Santa Cruz”, realça.
Considerado o único jornal centenário da região, Vítor Marques reconhece a importância deste meio de comunicação para os conimbricenses e considera ser um jornal diferenciador.
“Na minha opinião o objetivo do Jornal é a própria cidade e provavelmente alguns assuntos da Baixa”, disse, considerando que embora o Jornal, na sua opinião, se tenha alargado mais a outras áreas, deveria voltar a centralizar-se mais nos problemas da Baixa.
“Há coisa de três semanas, uma notícia que deram sobre os problemas de drogas aqui na Baixa [notícia “Empresários da Baixa muito preocupados com insegurança” publicadana edição do dia 9 de fevereiro], foi importante para que outros meios de comunicação social pudessem pegar também nessa questão. Talvez se o Despertar funcionasse mais dessa forma, nós que trabalhamos aqui e as pessoas que vivem aqui na Baixa se calhar teriam também essa forma de comunicar e chegar a outras instituições que às vezes não se vai conseguindo. O facto de perder essa ligação é prejudicial para nós, é aquilo que eu sinto”, sublinhou, deixando o apelo: “gostaria de voltar a ver o Despertar focado naquilo que é a realidade da Baixa e na sua área de abrangência”.
Memórias registadas
O Jornal O Despertar foi fundado em 1917 por João Henriques, passando nos anos 1930 para as mãos de António de Sousa, funcionário da casa, que se entregou ao projeto e foi passando essa paixão pela família, com o jornalista Fausto Correia a ser o último da família a assumir a direção do jornal.
Em 2008, após o desaparecimento de Fausto Correia (morreu em 2007), o Jornal foi comprado pelo grupo Media Centro e na opinião de Vítor Marques melhorou bastante. “Penso que a passagem do Jornal para o Grupo do doutor Lino Vinhal ficou claramente a ganhar”.
Das muitas memórias que o sócio gerente tem com o Despertar destaca as notícias que o órgão social publicou na altura da mudança de atividade comercial do Café Santa Cruz, que ocorreu por volta de 1921. “O Despertar acompanhou essa mudança toda. Para mim essas notícias são as mais importantes porque contam a história do Café. Ter estas notícias hoje é a melhor coisa do mundo”, realçou.
Mais recentemente, Vítor Marques não esquece o apoio que o Jornal mantém diariamente com o Café Santa Cruz.
“Todas as notícias que o Jornal tem publicado acerca do Café, principalmente no mês que fazemos o nosso aniversário, são muito importantes para nós e para a nossa própria história. Sabemos que elas chegam a outras pessoas e conseguimos conquistar mais clientes, ou pelo menos fidelizar os que já cá vêm”, salientou.
Trabalhar com gosto
Para Vítor Marques o Despertar e o Café Santa Cruz são “duas marcas da própria cidade” que apesar das suas histórias “só existem por causa das pessoas que colaboram, trabalham e gerem” da melhor forma o património. “A vida dos jornais está associada desde os jornalistas às pessoas que o imprimem e são todas essas pessoas que dão o seu máximo para o Jornal ter essa longevidade. Isso é muito importante”.
Para o empresário, o seu trabalho é uma segunda casa onde se sente feliz e realizado. “Eu estou aqui porque há 50 anos o meu pai rejuvenesceu o Café e permitiu que hoje esteja no estado em que está, os antecessores do meu pai fizeram exatamente a mesma coisa e, portanto, existe este laço de continuidade da história do próprio Café. No jornal acredito que seja o mesmo. Acredito que os diretos de O Despertar estão exatamente a fazer isso com todo o gosto e acima de tudo gostam mesmo daquilo que fazem”.
“Que haja boas notícias por muitos e largos anos” é a mensagem de Vítor Marques para o Despertar nestes 107 anos de história.