12 de Março de 2026 | Coimbra
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Demissão de vogais cria polémica a Metro

5 de Setembro 2025

Escassos quatro dias após as Câmaras da Lousã e de Miranda do Corvo terem manifestado discordância com o arranque da operação do ‘metrobus’ apenas na cidade de Coimbra, o Estado, enquanto acionista maioritário da Metro Mondego, S.A., propôs e aprovou, em Assembleia Geral Extraordinária realizada na passada terça-feira, a demissão de dois vogais do Conselho de Administração (CA) daquela sociedade e com ligações ao PS, substituindo-os por outros afetos ao PSD, a cerca de três meses do fim do mandato e a pouco mais de um mês de eleições autárquicas.

A demissão de Eduardo Barata e Teresa Jorge foi justificada pelo representante do Estado Português, detentor de 53% do capital social da sociedade, apenas com um simples “por mera conveniência”.

Eduardo Barata, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e suplente nas listas do PS às autárquicas de 2021, e Teresa Jorge, antiga vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e que foi chefe de gabinete e adjunta no executivo do Governo liderado por António Guterres.

O atual presidente do CA, João Marrana, mantém-se em funções e não deixou de expressar na referida assembleia o “desconforto que esta situação lhe causa pessoalmente, bem como à própria empresa, sem prejuízo, naturalmente, de seguir as orientações aprovados”, manifestando ainda reconhecimento pela “qualidade do serviço prestado pelos membros da Administração [demitidos] e a importância que tiveram na concretização do projeto”.

Para a “nova” Administração da Metro Mondego foram nomeados Ricardo José Cândido e Cristina Isabel Agreira, membros do executivo da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais, liderada pela coligação Juntos Somos Coimbra, e ex-deputados municipais pelo PSD.

Os municípios da Lousã e Miranda do Corvo, ambos liderados pelo PS, votaram contra a decisão, divulgando uma tomada de posição igual, em que consideraram que uma interrupção do mandato “criará instabilidade na gestão da empresa, num momento crucial para a entrada em funcionamento do sistema”.

“Qualquer alteração da sua administração neste momento poderá colocar em causa a estabilidade, a eficiência e a confiança indispensáveis para este arranque”, afirmaram as autarquias, notando ainda que a substituição antecipada dos dois vogais poderá implicar indemnizações e que as propostas não foram previamente articuladas com aqueles dois municípios que serão servidos pelo Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).

Em declarações à agência Lusa, o demitido Eduardo Barata afirmou que seria “difícil escolher uma fase pior [para substituir os vogais]”, dando nota das “décadas de gestação” que viveu o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).

“Estamos a caminho da maternidade com um bebé que teve uma gravidez de risco que se prolongou por décadas e, neste momento, estamos a agredir esse bebé. Estamos a pôr em causa a saúde do próprio projeto”, disse, admitindo dificuldade em apontar para uma justificação para a decisão governamental.

A Câmara de Coimbra, bem como a Infraestruturas de Portugal, votaram ao lado do Estado pela substituição dos vogais, enquanto a CP – Comboios de Portugal se absteve.

Em comunicado, a Concelhia de Coimbra do PS considerou a decisão de “irresponsável” e de “poder pôr em risco a execução do próprio Sistema de Mobilidade do Mondego”.

Para os socialistas, a decisão é justificada para “encaixar pessoas da confiança da coligação Juntos Somos Coimbra a um mês das eleições autárquicas”.

Por seu turno, questionado, o Ministério das Infraestruturas e Habitação não esclarece o porquê da mudança antes do fim do mandato, que ocorre em Dezembro próximo.

 


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