Para os nossos concidadãos mais absortos, apolíticos ou (que nos perdoem) os iletrados, anotamos que: assassinos são indivíduos que causam a morte de alguém, matadores profissionais; terroristas, partidários do terror, que recorrem à violência como meio de coação para impor determinados objetivos; assaltantes, grupo de farândolas, récua, corja, que, em regra, atacam pessoas ou bens de elevado valor, com excessiva violência e intuitos desprezíveis ou com fins inconfessados; e ladrões, que atuando normalmente sozinhos e furtivamente, ou com violência, roubam coisas facilmente transportáveis, de relativo valor, para proveito próprio.
Com o possível rigor de subsumirmos estas figuras lexicais nos comportamentos desumanizados, analisemos, ponto por ponto, as atividades profissionais, em ação permanente de mútua colaboração, de Hermínio da Palma Inácio, Emídio Guerreiro, António Barracoa, Luís Benvindo e Camilo Mortágua, fundadores da célula LUAR, e individualizemos este último, como assassino e terrorista, por se ter notabilizado como o mais perigoso “figurante”, destacando-se como o elemento fulcral, atuante, no assassinato, à queima-roupa, do 3º piloto do paquete “Santa Maria”, João José do Nascimento Costa, no seu posto de trabalho, por tentar defender um bem relevante do Património Nacional. Já abordámos este figurante noutro contexto, mas neste há outras cambiantes que reforçam o seu perfil, como veremos:
Assaltante e ladrão, porque conduziu o assalto à filial do Banco de Portugal, na Figueira da Foz, roubando cerca de 30.000 contos, com o objetivo de financiar ações contra o regime; fez parte do grupo que desviou à mão armada um avião da TAP, no voo Casablanca – Lisboa, a fim de sobrevoar Lisboa e outras cidades portuguesas, a baixa altitude, para lançarem mais de 100.000 pasquins sobre as cidades de Lisboa, Setúbal, Barreiro, Beja e Faro.
Terrorista ainda, porque já em abril de 1975, à margem de qualquer diretiva revolucionária, participou na invasão e domínio da Herdade da Torre Bela, a maior área de terra agrícola (1 700 hectares) murada em Portugal, propriedade do Duque de Lafões.
Por todos esses “Feitos Valerosos”, se foi da cadeia libertando, convolando-se a pena numa condecoração de Grande Oficial da Ordem de Liberdade, proferida em 09/06/2005, pelo então P.R. Jorge Sampaio, num ato de absoluta insensatez e de desrespeito pela memória de quem perdeu a vida impunemente, às mãos do algoz condecorado.
Também o P.R. dos nossos dias, afetado pela doença do populismo barato, enfatizado, insensível à vítima, à sua memória e à família, que perdeu um ente querido no seu posto de trabalho pela bala assassina de um terrorista, chamado Camilo Mortágua, deu-se ao cuidado de formular sentimentos de pesar à família (irmãs Mortágua) pela sua morte, enfeitados com elogios à sua profissão de antifascista, lutador pela liberdade (dele), defensor de causas, que causas!