24 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Martinho

DA METÁFORA DE EPICTETO – 1

21 de Novembro 2025

Epicteto -, filósofo grego da Escola Estoica, nascido no ano 55 a. C.  – da sua obra “Enquisidio” destacou a parábola “ESTATUÁRIO”, no qual descreveu a metáfora: “assim como o material do carpinteiro é a madeira, e o do estatuário é o bronze, a matéria-prima da arte de viver é a própria vida de cada pessoa”. Neste trecho o autor propõe-nos uma reflexão sobre a possibilidade de se converter um “rude” num homem, senão mesmo num virtuoso, mas sublinha que a filosofia não pode fornecer ferramentas externas para viver melhor, mas sim a orientação para lidar com a vida que nos é dada.

Com idêntico pensamento filosófico surgiu, muito mais tarde, o nosso padre António Vieira usou também uma parábola intitulada “O Estatuário” na qual – empregando também um estilo metafórico -, nos ensinava a desbravar o caminho para alcançarmos a santidade da vida, incitando-nos: “trabalhai e continuai com ele – que nada se faz sem trabalho e perseverança -. Aplicai o cinzel um dia e outro dia, dai uma martelada e outra martelada e vós vereis como dessa pedra “tosca, informe” fazeis não só um homem, senão mesmo um cristão e pode ser que um santo”.

Kant, que viveu entre 1724 e 1804, defensor convicto de um humanismo racional, à sua conta praticou cuidadosamente a probidade, a sinceridade intelectual.

Conheceu e praticou o pietismo, que contribuiu para suscitar uma atitude nova perante os dogmas, e deles desligou mais ou menos os espíritos, insistindo radicalmente no aperfeiçoamento moral do indivíduo.

Em consonância com esses seus dotes humanísticos, esquematizou uma sequência de circunstâncias geracionais que explicam a hereditariedade psicológica, que exemplificou: “qualquer ser vivo, assim como uma árvore produz uma outra árvore, segundo uma lei natural conhecida. A árvore produzida é da mesma espécie; assim, a árvore produz-se ela própria segundo a espécie na qual, continuamente produzida por si mesma, por um lado como efeito, por outro, como causa e, não deixando de reproduzir-se a si própria, ela mantém-se constantemente como espécie”.

“Imaginemos o botão de uma folha de árvore, enxertado num ramo de outra árvore, dá origem num pé estranho a uma planta da sua própria espécie, tal como o enxerto numa outra árvore, razão por que se pode considerar cada ramo, cada folha de uma mesma árvore como simplesmente enxertados ou implantados nesta, ou seja, como uma árvore que existe por si própria, que se liga simplesmente a uma outra e se alimenta como um parasita”.

Deste paradigma ser-nos-á lícito inferir que ele se pode aplicar ao ciclo da vida humana, desde a fase pré-embrionária até se completar o seu desenvolvimento?

 


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