Durante muito tempo, aquando de diversas idas a karaokes espalhados pelo país, fui convivendo com melómanos duma excelente banda britânica, dos finais dos anos 90, a qual, a meu ver, era mais HOTPLAY do que COLDPLAY. Isto porque, assim que eu regressava a casa, fazia questão de escutar todos os temas “hot” que tinham sido entusiasticamente interpretados pelos diferentes “kantores” – uns bem, outros nem por isso.
Aos poucos, fui-me habituando ao timbre nasalado do vocalista, Chris Martin, sendo qualquer tentativa de aproximação ao mesmo tarefa quase inglória. Daí preferir ouvir outros cantores a cantarem à sua maneira temas de outrem, do que enveredarem por uma mera imitação.
É claro que a versão final nem sempre resulta. Foi um autêntico desastre quando Luciano Pavarotti tentou cantar “My Way”, bem como quando Aretha Franklin interpretou “Nessun Dorma”. Certas vozes foram talhadas mais para um género musical do que outras.
Este preâmbulo serve para justificar a “histeria” desta “coldplaymania”, à qual Coimbra tem assistido nos últimos dias. É que a voz de Chris Martin é agradabilíssima de ser ouvida, principalmente em temas como “Yellow”, “Fix You”, “The Scientist”, “God Put a Smile upon Your Face” ou “A Sky Full of Stars”.
Brutalmente brutal!
Todavia, tenho de confidenciar que não assisti a nenhum dos quatro concertos. Não porque não seja melómano, mas porque tenho fobia a multidões (agorafobia?). Desde o concerto que Tina Turner deu em Lisboa, jurei nunca mais repetir a façanha. Prefiro assistir a outro tipo de espectáculos em casas concebidas para esse fim, tais como salões de festas, teatros, coliseus, etc.
Dito isto, não consigo entender como é que o Estádio Cidade de Coimbra seja a melhor opção para a realização deste género de eventos, se atendermos ao facto de não haver estacionamento suficiente para tanto público condutor de veículos de quatro rodas.
Durante os quatro dias de uma Coimbra invadida por moles de gentes nacionais e estrangeiras, os automóveis foram preenchendo o pouco espaço vago que havia em cima dos passeios, nos parques de grandes superfícies comerciais, em frente a garagens de condomínios, etc… Só faltou estacionar dentro das lojas e restaurantes ou nos jardins das próprias casas!
Ali, então, na zona “contígua” ao próprio estádio, não sei como é que se processaram os acessos à Igreja de S. José, às Escolas Avelar Brotero, Infanta D. Maria e João de Deus. Isto já para não aludir aos acessos às clínicas, consultórios e farmácias por perto.
No meio de todo este ambiente esfuziante, lembrei-me do “patinho feio”/“moço de recados”, mais conhecido por João Galamba, em pleno interrogatório numa comissão de inquérito, enquanto o seu “boss”, encostado à sua esposa, se esquecia de Portugal, devido ao timbre nasalado de Chris Martin…
Pelo menos, aparentemente, fiquei a saber, sem mentiras, nem omissões, que o primeiro-ministro tem bom gosto musical!
Paulo Ilharco