Estabelecendo, metaforicamente, a analogia entre a queda do Império Romano do Ocidente e a queda do tecido empresarial do concelho de Coimbra, nos últimos 50 anos, tomemos apenas em consideração o resumo das causas próximas da queda daquele colosso romano: invasões bárbaras, instabilidade política, crises económicas, corrupção e desafios militares internos o que, tudo combinado, levou à desintegração do poder central e à fragmentação do império, para o que também contribuíram a assimilação cultural de Clóvis, rei dos francos, e das suas tropas, e a deposição do imperador Rómulo Augusto pelo rei Odoacro, dando origem a vários reinos dentro do espaço romano.
Coimbra, por seu turno, também foi invadida por uns sósias Odoacro(s) e Clóvis quaisquer, que se espalharam por toda a parte, como cogumelos, agitando as massas e proporcionaram a desdita de assistirmos ao desmantelamento de todas as infraestruturas industriais que, no seu conjunto, empregavam dezenas de milhar de trabalhadores, de ambos os sexos, os quais, confrontados com esse holocausto, foram parar ao desemprego, vindo a auferir de um contributo chamado subsídio de desemprego, que fez tremer o tesouro público, já bastante deficitário, por razões diversas, mas fáceis de explicar.
Aquele espetro de abandono, sem ação e sem vida, contrastou com o que era uma população que pululava pelas ruas, a que lhe correspondiam variadíssimos estabelecimentos comerciais, cafés e restaurantes abertos ao público até altas horas da noite, convidando também a circunvizinhança a juntar-se na “baixa”, a passear e a apreciar a decoração das montras, autênticas obras de arte, juntamente com a estudantada irreverente, com os seus embriagantes fados e serenatas de Coimbra, que se espraiava pela cidade, transmitia magia e agitava a população, dando à cidade um bulício contagiante e prestigioso, com a sua expansão cultural e cívica, que ecoava por todo o país, com uma auréola inconfundível.
Peço a benevolência dos leitores para a extensão do rol abaixo discriminado que, apesar disso, omite várias centenas de micro e pequenas empresas que, no seu todo, davam emprego a alguns milhares de trabalhadores. No entanto, julgo ser necessária a expansão para relevar o acervo da derrocada.