19 de Maio de 2019 | Coimbra
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Coimbra celebra 50 anos da Crise Académica

18 de Abril 2019

Coimbra celebra, até outubro, os 50 anos da Crise Académica de 1969. O programa, que começou esta semana, homenageia a luta dos estudantes, assim como as suas conquistas que acabaram por conduzir, em Abril de 1974, à ansiada liberdade do povo português. Recriações históricas, concertos, exposições, livros e muitos outros eventos marcam estas celebrações que pretendem envolver toda a cidade.

O concerto “UHF – A Herança do Andarilho” abriu, na terça feira, as comemorações dos 50 anos da Crise Académica de 1969, que se vão estender até 6 de outubro, encerrando com o tradicional Cortejo da Festa das Latas e Imposição de Insígnias.

Promovido pela Associação Académica de Coimbra (AAC), Universidade de Coimbra e Câmara Municipal, em parceria com a Fundação Inatel e o Turismo Centro de Portugal, estas celebrações vão homenagear todos os estudantes que, há 50 anos atrás, estiveram envolvidos na Crise Académica, que começou a 17 de abril, na inauguração do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra (UC), quando o então presidente da AAC, Alberto Martins, do meio da plateia, se dirigiu aos dirigentes do Estado Novo presentes, pedindo a palavra e sendo completamente ignorado.

Durante a apresentação das comemorações, que decorreu na sexta feira, no Convento São Francisco, o atual presidente da AAC, Daniel Azenha, recordou este “ato de coragem” que “ficou gravado na história e na memória de todas as gerações daí em diante”. Começaram então tempos “agitados”, com as “vaias dos estudantes” a anunciarem uma “crise profunda”. Daniel Azenha recorda a Assembleia Magna que reuniu “mais de 6.000 alunos”, a “maior de todos os tempos”, anunciando-se greves aos exames e iniciativas que unissem a comunidade, criando-se um maior elo de ligação entre a Academia e a cidade. Esta onda de descontentamento acabou por se propagar às restantes academias do país e, dos muitos momentos, ficou também para a história a final da Taça de Portugal de 1969, com as faixas a cobrirem o Estádio Nacional, numa das maiores manifestações de força da Academia de Coimbra.

“Todos estes momentos contribuíram para um só caminho: a Revolução dos Cravos, em Abril de 1974”, sublinhou Daniel Azenha.

O reitor da UC, Amílcar Falcão, lembrou que “o património que a geração de estudantes de 69 nos deixou tem um valor imaterial incalculável”, tendo contribuído “decisivamente para hoje vivermos em democracia”. “Foi aqui, em Coimbra, que se deu início à Revolução de Abril. Começou em 1969 e, movida pela força dos estudantes, só terminou em 1974. Portugal deve agradecer, e muito, a esta geração fantástica que nos conquistou a liberdade”, frisou.

A mesma certeza é partilhada também pelo presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, que considera que este “gesto de revolta que correu todo o país e percorreu as antigas colónias e os países estrangeiros” foi “uma mensagem extremamente eficaz” e “um dos grandes contributos para o 25 de Abril”. O autarca lembrou que, ao pedir a palavra, “Alberto Martins transmitiu um grito de alma de um povo” e considera que este foi o “discurso mais curto mas mais eficaz de intervenção política e de afirmação da cidadania”.

É precisamente essa liberdade conquistada que é agora celebrada, 50 anos depois, com um programa extenso que inclui iniciativas diversas, como recriações históricas, concertos, exposições, lançamentos de livros, entre outros.

Depois do concerto dos UHF, decorreu ontem a cerimónia evocativa dos 50 anos da Crise Académica; foi apresentado o conjunto escultórico “Peço a Palavra”, que se encontra junto às Escadas Monumentais; e foi descerrada uma placa alusiva no edifício da AAC.

O programa continua hoje com o espetáculo “Revoluções” (21h30, no Convento S. Francisco) e no sábado (16h00, no Estádio Cidade de Coimbra) vai ser recriada a final da Taça de Portugal de 1969, com o jogo entre a Académica e o Mafra. Os jogadores da Briosa vão entrar em campo de capa aos ombros e nas bancadas vão ser exibidas as tarjas com as palavras de ordem usadas naquele ano.

Do vasto programa destaque ainda para a apresentação do livro “Peço a Palavra – Coimbra 1969”, de Alberto Martins (terça, às 18h30, na Sala 17 do Departamento das Matemáticas) e para a Gala Comemorativa dos 50 anos e atribuição do estatuto de associados honorários da AAC aos membros dos órgãos sociais em 1969 (21h30, no Teatro Académico de Gil Vicente). No dia seguinte é lançado o livro “A Crise Académica de Coimbra. 1969”, de José Veloso (17h00, na Sala 7 de Faculdade de Direito). No feriado do 25 de Abril há arruada, às 15h00, na Praça da República, e no dia 28, a partir das 15h00, no Largo D. Dinis, vai ser feita uma recriação histórica da repressão e cerco à UC pela Guarda Nacional Republicana, com encenação da Viv´Arte.

As comemorações continuam até 6 de outubro com as mais variadas atividades, associando-se ao Dia da Cidade (4 de junho) e vários eventos académicos, como o Baile de Gala, a Serenata e o Cortejo da Latada.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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