22 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Martinho

CARÁTER DA PRÉDICA “CRÓNICAS, CRÍTICAS E DESABAFOS” I

10 de Janeiro 2025

              Sugerindo aos ilustres leitores, mais alheados, o recurso à anamnese para a perceção dos fenómenos político-sociais de diversos regimes internacionais que optaram pela conceção democrático-liberal ou pela democrático-radical, aquela radicando na legitimidade da competição e na alternância no exercício do Poder (vocação positiva), e esta sustentando a necessidade de uma representação unitária (!), pois a vontade geral é, tendencialmente, indivisível (opção negativa), cuja índole foi assimilada pelo partido comunista, que se assume como intérprete da vontade geral, a qual, logicamente, no interesse da Revolução, não admite resistência.

E o comunismo moderno, a partir de Marx e Lenine, não só recorre à força para a tomada e exercício do Poder, como se apresenta declaradamente materialista e, consequentemente, ateu e até antirreligioso, conclusão que é, impressionantemente confirmada pelos aspetos dramaticamente negativos das tentativas histórico-concretas de implantação do comunismo, das quais o simples nome Gulag é eloquente evocação: sistema penal institucional da antiga União Soviética e da atual Federação Rússia, composto por uma rede de campos de concentração, v.g., campos de trabalhos forçados e prisões celulares e onde ainda agora se continua a operar a morte provocada (envenenamentos), ou se “evaporam” as vítimas pela ação dos seus algozes…

Muito resumidamente, traçámos o panorama dos regimes e das ideologias comunistas, como contributo para a compreensão temática das “Linhas Vermelhas” e para sintonizar o previsível conteúdo da inversa metade do volume, da autoria do Dr. José Gabriel, aposentado da docência da disciplina de Filosofia, como referiu.

A curiosidade de galgar as páginas daquela miscelânea intuía que a dedicação à causa de ensinar, educar, formar e preparar os seus discentes para o futuro, no âmbito da disciplina de Filosofia, tinham moldado o autor àquela nobre função, numa linguagem intrínseca, apesar do exórdio concitar a uma vertente assaz ousada o que, mau grado, se veio a confirmar, transversalmente, no texto, com invetivas a personalidades não alinhadas na sua conceção político-ideológica, e a quem dirigiu, ou dirige, os destinos do país, com expressa ressalva dos sequazes daquele pseudo-avatar de um (simulado) regime de liberdade e existência de condições materiais e culturais para o seu exercício – igualdade de direitos e oportunidades dos cidadãos…, à semelhança dos por eles exercidos pós 25 de Abril, através  de saneamentos de trabalhadores ordeiros e efetivos nos seus postos de trabalho, independentemente da sua condição social e económica; das nacionalizações; dos assaltos às empresas privadas, rectius, às propriedades agrícolas, abandonando-as depois de as exaurirem.


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