25 de Setembro de 2021 | Coimbra
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Bem estar da população é a grande prioridade da Freguesia de Brasfemes

30 de Abril 2020

O “bem estar geral da população” é a grande prioridade da Freguesia de Brasfemes. Apesar de haver sempre muito mais a fazer, o presidente, João Paulo Marques, assume que a preocupação maior são sempre as pessoas, começando os cuidados ao “pé da porta”, o que exige não só boas respostas a nível social e da infância mas também no que toca a infraestruturas, habitação e condições que garantam uma vida feliz e com qualidade.

Situada a poucos minutos da cidade de Coimbra, a Freguesia de Brasfemes beneficia das condições típicas das localidades mais rurais, como a proximidade entre a população, a tranquilidade e a qualidade de vida que é comum nestas áreas onde predominam ainda a agricultura as áreas verdes. Luta, contudo, com outras preocupações que são habituais nestes territórios, sendo certo que alguns dos ditos benefícios acarretam também problemas e outras exigências, como sucede com a sempre urgente questão da limpeza e manutenção dos espaços públicos.

O presidente da Junta, João Paulo Marques, conhece bem a realidade da sua freguesia. Há cerca de sete anos na função, orgulha-se de “conhecer pelo nome” praticamente todos os moradores das várias localidades. Numa freguesia que conta com cerca de 2.100 habitantes (aproximadamente 1.900 recenseados), considera que este trabalho fica facilitado.

“Nesta freguesia a questão da proximidade é brilhante. Temos as aldeias de Brasfemes e Vilarinho e os lugares de Bostelim, Paredes, Sinceira, Picoto e Lagares e posso dizer que conheço pelo nome praticamente todas as pessoas que habitam nestas localidades, quais são as suas dificuldades, quais são os idosos e quais são os que necessitam de uma atenção mais especial”, explica.

Se é fácil o presidente chegar aos habitantes, o mesmo sucede na posição inversa. “Qualquer pessoa fala rapidamente e facilmente comigo e sabe que a grande prioridade da Junta é só uma – o bem estar da população”, realça.

Isso passa, naturalmente, também pela realização de obras que são determinantes para a comodidade e segurança das pessoas. João Paulo Marques lembra que “a qualidade de vida começa ao pé da porta” e é nesse sentido que o executivo tem focado a sua atuação, seja apostando “na prevenção a nível social”, seja através da realização de pequenas mas importantes obras, como construção de passeios, valetas ou aquedutos.

Assume que não é fácil realizar os projetos que gostaria, já que tem que lutar sempre com os condicionalismos impostos pelas limitações orçamentais e pela demasiada burocracia.

Limpezas urbanas representam muito trabalho e custos

O presidente de Brasfemes assume que, nesta altura, “o orçamento da Junta é basicamente absorvido pelas limpezas urbanas”, que exigem “muito trabalho e custos”. Com apenas um funcionário no terreno, a Junta tem prevista no orçamento deste ano a contratação de mais um assistente operacional para exercer funções de limpeza urbana, para melhor poder fazer face às exigências que este setor levanta.

“Temos uma área de cerca de 10 quilómetros quadrados e cerca de 70 a 80 quilómetros de estrada, caminhos e arruamentos com duas bermas, naturalmente. Como facilmente se percebe, ter apenas uma pessoa a assegurar a limpeza não é fácil, ainda mais sem recurso a herbicidas, o que significa que hoje cortamos e amanhã já está a crescer novamente”, lamenta.

Muitas das obras que têm vindo a ser feitas procuram facilitar este trabalho, como a construção de passeios, o prolongamento de outros e mesmo a criação de valetas e desobstrução de aquedutos de água, ações que, de alguma forma, procuram ajudar a travar o crescimento das ervas.

João Paulo Marques lembra que as restantes obras, as de maior impacto e com custos mais elevados, são protocoladas com a Câmara de Coimbra, no âmbito dos Contratos Interadministrativos de Delegação de Competências anualmente assinados com as juntas e uniões de freguesia do concelho. Admite que as verbas “nunca são suficientes para fazer tudo o que gostaria e é necessário” mas reconhece que “tem havido um esforço da autarquia para aumentar as verbas para a execução destas pequenas obras”.

Cemitério vai ser requalificado

Das obras protocoladas para este ano, destaca a requalificação do cemitério, num projeto que prevê a reabilitação da entrada, de forma a assegurar o acesso fácil a pessoas com mobilidade reduzida. Segundo o presidente, vai ser reabilitada também toda a zona envolvente, bem como os muros e a capela aí existente. “A requalificação do cemitério é uma obra com algum peso no nosso orçamento que temos para obras, já que irá custar cerca de 25 mil euros. Mas a nossa intenção é gastar bem e não descurar também outras intervenções necessárias”, sublinha.

Nas prioridades estão, como esclarece, a “repavimentação de algumas vias que se encontram bastante deterioradas” e a construção de um parque de estacionamento junto ao campo de futebol do Real Clube de Brasfemes. Estão ainda previstas e orçamentadas para este ano pequenas obras que, de algum modo, visam corrigir alguns problemas que afetam as pessoas, como a requalificação e ampliação de alguns passeios. Considera que estes “nunca são de mais” mas há situações em que a sua execução é difícil, tendo em conta as normas vigentes, nomeadamente no que toca à largura das ruas nos núcleos mais antigos.

No plano plurianual de obras para o mandato que termina no próximo ano está também prevista a ligação do passeio na Rua Dr. Fausto Quadros, que liga o largo à igreja e ao cruzamento do “Ferrador”. João Paulo Marques considera que essa intervenção é mesmo “prioritária”, já que irá garantir “a segurança das pessoas que ali circulam”. Lembra que as vias principais da localidade de Brasfemes foram praticamente todas requalificadas, têm agora um bom piso e grande fluxo de trânsito, já que por ali passam muitos automobilistas vindos de Penacova. “Aquela zona tem retas dentro da localidade e com o pavimento novo era necessário que houvesse ali algum controlo na velocidade, de forma a garantir a segurança das pessoas. Foram já instalados semáforos de controlo de velocidade, mas era necessário um controlo por parte das autoridades do respeito pelos mesmos”, explica.

A nível de saneamento, a freguesia está muito bem servida, contando com uma cobertura de 98 por cento, tendo apenas dois lugares, Picoto e Bostelim, onde “dificilmente será possível chegar”. Para este ano está prevista a ampliação da rede, a cargo da Águas de Coimbra, na Rua Elísio de Moura, Olival das Almas e Sandia, ficando por resolver ainda algumas situações pontuais.

Na área dos transportes públicos, a freguesia no geral não está mal servida, apesar do autarca defender que “há obrigação do Município de melhorar e diversificar a oferta, bem como ajustar horários e trajetos”. No momento, é a Transdev que assegura os transportes públicos mas asseia que, mais tarde, estas carreiras possam ser complementadas pelas dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), sendo que já existem vários avanços nesse sentido. Acredita que quando o Metrobus estiver a circular na cidade será mais fácil ter autocarros disponíveis para melhor servir as freguesias limítrofes. “Claro que gostava muito de ter cá os SMTUC, seria uma vantagem grande para todos nós, mas, nesta fase, temos que dar um passo bem dado e perceber aquilo que os SMTUC nos podem oferecer, como é que o podem fazer, em que horários e articulá-los sempre com a Transdev, pois as carreiras que vêm de Penacova, mesmo que os SMTUC avancem para esta zona, vão ter sempre de servir a população e seria um desperdício de recursos não articular ambas as ofertas”, realça.

Defende também, nesta área, uma melhor articulação entre os vários transportes públicos, de forma a que as pessoas possam chegar mais rapidamente aos seus locais de trabalho, hospitais, universidade e outros serviços. No seu entender, a solução poderia passar, como aliás já defendeu por diversas vezes na Assembleia Municipal, pela “criação de uma estação intermodal nas principais entradas da cidade que, daí, fizesse a ligação para os vários pontos na cidade, diminuindo assim o fluxo de trânsito”.

Jardim e Escola praticamente na lotação máxima

A nível da infância, a freguesia conta com boas respostas. Em janeiro assistiu, orgulhosamente, à inauguração do requalificado Jardim de Infância, uma obra da responsabilidade da Câmara e muito ansiada. Com os trabalhos realizados, as crianças contam agora com um edifício completamente renovado, umas instalações modernas e bem dotadas. Com capacidade para 25 crianças, funcionava – até ter encerrado portas devido à Covid-19 – com 24 mas tinha todas as inscrições preenchidas, acolhendo crianças a partir dos três anos.

A escola primária, um equipamento que foi igualmente reabilitado há poucos anos, reúne também boas condições. Estava a funcionar com cerca de 40 crianças, distribuídas pelas quatro turmas, do primeiro ao quarto ano.

Apesar do número de crianças que frequentam estes estabelecimentos, não há necessariamente crescimento a nível populacional em Brasfemes. João Paulo Marques assume até que “há uma estagnação no número de habitantes”, sendo esta dinâmica a nível escolar resultado das opções dos pais que “confiam nas escolas da freguesia”.

“Em vez de levarem os filhos para as zonas onde trabalham, a grande maioria dos pais prefere mantê-los na freguesia, onde também cresceram, onde têm infraestruturas de qualidade, tanto em termos físicos como humanos, e onde contam com a retaguarda dos familiares”, explica, congratulando-se também com “a dinâmica e envolvimento das duas associações de pais”, certo que de essa postura faz com que “todos os anos haja um acréscimo do número de crianças nas escolas da freguesia”.

Preços travam construção

Apesar de existirem muitas casas abandonadas no centro das aldeias e nos vários lugares, há poucas famílias a apostarem na reabilitação e os jovens têm alguma dificuldade em construir na freguesia. “Temos alguns ‘inimigos’ na área da habitação. Apesar das pessoas gostarem das características da freguesia, encontram as mesmas condições em concelhos vizinhos, como Penacova e Mealhada, onde as taxas urbanísticas e os terrenos são mais baratos e onde as facilidades na construção são muito maiores”, lamenta.

Apesar de nos últimos anos ter começado a verificar-se novamente um maior investimento no setor, esse crescimento pouco se refletiu em Brasfemes. Há, segundo o autarca, “uma ou outra construção nova” mas havendo pessoas interessadas em reconstruir casas antigas, face ao preço exagerado pedido pelos proprietários, acabam por optar por outras soluções”. A justificação é simples: “os jovens fazem facilmente as contas ao que os proprietários pedem por elas, ao custo da reabilitação e das taxas urbanísticas e acabam por encontrar facilmente soluções que lhes ficam mais baratas fora da freguesia”.

João Paulo Marques espera “contribuir para que esta tendência se altere”, até porque é importante que a freguesia se rejuvenesça e que haja reabilitação urbana. “Eu vivo no núcleo central da localidade de Brasfemes e verifico que a média de idades dos meus vizinhos rondará os 80 anos. Na rua principal as casas estão praticamente todas abandonadas, há apenas três ou quatro habitadas”, sublinha.

Brasfemes não escapa, como se verifica, à tendência nacional no que toca ao envelhecimento. Há cada vez mais pessoas idosas, uma realidade que parece ainda mais evidente neste cenário criado pela pandemia do novo coronavírus, que deixou as ruas praticamente desertas. Em Brasfemes, apesar de estarem a acautelar as recomendações da Direção-Geral de Saúde, são sobretudo os idosos que ainda se veem nas ruas.

Apoio aos idosos assegurado em casa

Os idosos contam com o apoio do Centro de Bem Estar Social de Brasfemes. Esta instituição acompanha cerca de 60 utentes, nas valências de Lar e Apoio Domiciliário, aos quais se juntam ainda cerca de 20 crianças nas Atividades de Tempos Livres. A pandemia alterou as rotinas de todos – idosos, crianças e funcionários. As instalações deixaram de poder receber os seus utentes e, no caso dos idosos, o acompanhamento está a ser assegurado em casa pelas equipas da instituição que garantem a alimentação e a higiene pessoal.

A Junta elogia o valioso trabalho que esta instituição tem vindo a fazer, num esforço extra para conseguir apoiar as pessoas em casa, independentemente dos “custos adicionais” que este trabalho acarreta. Neste contexto, o presidente fez um apelo à solidariedade e ao voluntariado, pedindo a quem pudesse para ajudar neste momento de aflição que obrigou a “um acréscimo de trabalho imenso”. A resposta foi “imediata e muito além das necessidades”. O número de pessoas que “anonimamente se disponibilizou para ajudar foi impressionante”, afirma, sublinhando que é nestes momentos que se verifica a união e o cuidado que as pessoas têm umas com as outras.

Os benefícios da proximidade

Essa entreajuda resulta também, de alguma forma, da relação de proximidade que existe na freguesia. Para o presidente, esse fator é muito importante, em todas as áreas, já que o facto de ser pequena “permite que qualquer assunto nos chegue rapidamente, seja por nós filtrado e resolvido”. Na área social, destaca o apoio assegurado pela assistente social do Centro de Bem Estar Social, uma profissional que ajuda na sinalização de situações que surgem, num trabalho articulado com a Comissão Social de Freguesia e com a Segurança Social.

“Conhecendo nós todas as pessoas, é mais fácil detetarmos alguma situação que precise de resposta. Com os meios que temos ao dispor, resolvemos essas dificuldades, mas sempre de forma anónima, salvaguardando a sua privacidade”, explica.

Em Brasfemes também existem algumas situações de pobreza, como sucede em todo o país. O presidente acredita, contudo, que “não há situações dramáticas ”mas antes pessoas que lutam honradamente para “esticar” as parcas reformas ou vencimentos até ao final do mês ou para fazer face a uma ou outra despesa imprevista que surja.

A maioria das pessoas continua a ter os seus quintais e alguns animais domésticos, um complemento a nível alimentar mas também um ofício que os mantém ativos e dinâmicos, com benefícios para a saúde do “corpo e da mente”. De acordo com João Paulo Marques, há agora “uma geração que se reformou há pouco, bem como alguns jovens, que está a apostar na vinha, nos olivais, a investir e a adquirir terrenos e alfaias agrícolas, não tanto por necessidade mas por gosto”.

De uma forma geral, o presidente considera que “a Freguesia de Brasfemes está bem servida” mas não esconde o desejo de “fazer sempre mais e melhor”, certo que “o trabalho autárquico não termina”. Há cerca de sete anos na presidência, diz que aprendeu a olhar para tudo “com um olhar diferente do cidadão comum”, onde não passa despercebido “um pequeno buraco, uma rua suja, uma valeta entupida…”.

“Há sempre muito, muito mais a fazer. Brasfemes é a freguesia onde nasci, onde fui criado e onde gosto de viver. Não é a ideal e estou consciente do muito trabalho que temos ainda pela frente. Oxalá, depois do vírus, o consigamos continuar a fazer”, termina.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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