Um dos maiores problemas nacionais são os baixíssimos salários.
A minha geração herdou da ditadura fascista um País de baixíssima escolaridade que emigrava para não morrer de fome ou para fugir de uma guerra injusta contra todos os ventos da história.
Hoje somos dos maiores exportadores de jovens altamente qualificados, a maioria á procura de salários compatíveis com a suas elevadas qualificações profissionais.
É o destino de mais de 30 por cento dos jovens que anualmente saem das nossas instituições do ensino superior.
Ouço que o governo quer resolver este gravíssimo problema nacional retirando direitos a quem trabalha liberalizando as leis laborais.
Em vez de ter um projecto nacional de modernização do sector produtivo e científico nacional, numa aliança entre as instituições do ensino superior, as centenas de centros de investigação e a banca pública opta politicamente por uma legislação que vai agravar ainda mais a política dos baixos salários.
O País não pode ter como o sector de serviços do turismo a nossa maior contribuição para o nosso produto interno bruto, que representa já cerca de 20 por cento.
É um sector de baixíssimos salários, baseado na quantidade e não na captação da alta qualidade do turista para pagar salários decentes.
Fizemos a maior revolução nas qualificações dos nossos jovens para poderem competir com os países mais desenvolvidos do mundo mas infelizmente falta-nos a ambição da modernização do nosso sector económico para poderem ter acesso a salários decentes.
Não é com a liberalização das leis laborais que resolvem o gravíssimo problema nacional dos baixíssimos salários com elas só vão agravar o problema.
António Campos*
(*) Fundador do PS