Aproximamo-nos do Dia de Natal. A ambiência reflete-se pelas nossas cidades, vilas e aldeias, nas ornamentações, nas colchas penduradas nas janelas e varandas das casas, no presépio, nos pinheiros natalinos, nas mesas que vão recebendo as iguarias da época e em exercícios de solidariedade e fraternidade. Tudo isto permite desejar que o Natal seja todo o ano. Apesar das cores e luzes, não podemos ignorar os treze mil sem-abrigo e os dois milhões de pobres e, nesta época, é habitual haver uma maior atenção para com os portugueses em dificuldades extremas. Entretanto, algumas coletividades vivem esta época a preparem a realização dos Autos Pastoris ou do Presépio e do Auto dos Reis este para o próximo mês. Embora atravessando o país estas tradições ganham uma certa notoriedade pela nossa região. Estes Autos são provenientes dos séculos XVII e XVIII e admite-se que tenham origem, segundo uma pesquisa histórica de Natércia Crisanto, nos Autos de Gil Vicente ou dos Milagres e Mistérios representados na Idade Média nas igrejas e mosteiros. Os dizeres, ou melhor, os textos destas representações têm sofrido cambiantes e adaptações até de acordo com a geografia. Ainda segundo Natércia Crisanto, acompanhada por diversos autores, estes Autos Pastoris terão sido conservados de forma manuscrita nos chamados CADERNOS DO PRESÉPIO. Podemos admitir, um pouco ao sabor dos tempos atuais, e porque como escrevi há agremiações a procurarem REATIVAR OU CONTINUAR ESTA TRADIÇÃO, que sejam aumentados estes Autos com alguns factos da atualidade sem perturbar a génese e singularidade histórica da performance. Para além destes Autos Pastoris há também o Auto dos Reis Magos representado junto ao presépio, um pouco mais para a frente no calendário festivo, após o Cortejo dos Reis ou Espera dos Reis a 5 de janeiro. Vale a pena, leitor, marcar na sua agenda as datas e locais destas realizações para que não se perca este património cultural com relevância no Baixo Mondego.
ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA – OBRA DE INTERESSE NACIONAL
A obra do cantor ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA foi recentemente classificada como obra de interesse nacional. Infelizmente, não foi possível que no parlamento houvesse unanimidade nesta atribuição. ADRIANO tinha uma voz notável, foi um mensageiro de novos tempos através de novas e apelativas canções. No início interpretou o fado de Coimbra em moldes clássicos. Mais tarde marcou uma efetiva presença como cantor de intervenção, de um modo geral com canções do género TROVAS dentre as quais merece figurar na História de Portugal a TROVA DO VENTO QUE PASSA com letra de Manuel Alegre, provavelmente a melhor crónica musical objetiva de antes do 25 de abril e que ainda hoje anda na memória e na boca de portugueses. Há quase dois meses relatei, neste nosso O DESPERTAR, a homenagem feita ao cantor com a inauguração, em Avintes, de um busto deste saudoso cantor iniciativa dos filhos e de algumas entidades nortenhas. Evocámos, então, a sua partida a 16 de outubro de 1982 quando tinha apenas 40 anos. ADRIANO participou em grupos musicais, de danças e de teatro da Academia de Coimbra, tocou no conjunto da Tuna com José Niza, Daniel Proença de Carvalho e Rui Ressurreição. No canto privou com os maiores nomes do Fado e da Canção de Coimbra e, depois, com consagrados cantautores, seus pares. A vida e obra de Adriano foram projetadas numa banda desenhada de Paulo Vaz de Carvalho e João Mascarenhas intitulada O PERIGOSO PACIFISTA. Paz, progresso e lindas canções nos legou o enorme ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA com uma extraordinária OBRA DE INTERESSE NACIONAL cujo reconhecimento não pode ter exceções.