21 de Junho de 2021 | Coimbra
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JOÃO PINHO

As monografias na palavra dos outros

14 de Maio 2021

Em 2003, com o lançamento da minha primeira monografia histórica sobre a Freguesia de Botão, iniciei um caminho que para alguns estudiosos vem sendo reconhecido como pioneiro: estudo aprofundado e multidisciplinar da história das freguesias do Município de Coimbra, segundo os modernos “rigor artis”, disponibilizando à comunidade um valioso instrumento de política cultural.

Depois de Botão, seguiu-se o estudo das freguesias de S. João do Campo, Eiras, Santa Cruz, Arzila e Souselas, em projetos demorados de investigação, a oscilarem entre os 3-4 anos até se darem por findos e habilitados a publicação.

Uma das maiores alegrias que esta missão me trouxe foi, sem dúvida, a mais-valia para os estudos escolares, desde a instrução primária ou básica, ao secundário e meio universitário. Estes estudos extravasaram o município conimbricense, sendo requerida a minha participação em projetos de outros municípios, como o caso de Condeixa, com a monografia de Anobra, editada em 2017.

E foi precisamente a partir desta obra que recebi, na semana finda, um feedback muito interessante. Um dos presentes no lançamento do livro, A.O., contactou-me, para me perguntar se eu teria dados adicionais para suportar estudos sobre antigos familiares, que estava a desenvolver na área de Anobra e do Sebal. Que parte da informação recolhera nas páginas do meu trabalho, a que foi acrescentando outras que o levaram, imagine-se, a estudar um antepassado com raízes em Lafões, o qual veio a casar no Sebal, com uma moça da Rapoila.

É muito gratificante perceber, pela palavra do outro, que o nosso trabalho é lido, reconhecido e utilizado para abrir outras portas de investigação. Que não é o fim de um ciclo, mas pode ser, também, a arrancada de muitos outros.

Ainda nesta semana, um apaixonado pelas monografias regionais enviou-me, a partir de Braga, um simpatiquíssimo email, que muito me sensibilizou e gostaria de partilhar convosco:

«Boa tarde Sr. João Pinho:

Chegou-me hoje às mãos uma maravilhosa Monografia sobre Freguesia de Santa Cruz Coimbra.

Tem muito conteúdo que vou gostar de ler. Numa época que se perde a identidade das nossas terras com tanta facilidade é muito importante que pessoas como o Sr. resgatem a memória das nossas freguesias. É um trabalho que não deixa o investigador rico, mas deixa-o satisfeito.

Por Braga também se vão publicando algumas Monografias que as câmaras ou juntas de freguesia vão acarinhando.

Falando de história de arte que é a sua especialidade recordo que Braga é a capital do Barroco desenhado por André Soares.

Se necessitar de alguma publicação faça o favor de dizer.

Atentamente

G.C.»

E assim vou ganhando amigos por onde passo, que dão valor a um trabalho muito exigente, e me estimulam a continuar esta missão a que me propus, e que já ultrapassa os vinte anos de dedicação continuada.

E por falar de amigos, não posso deixar de relembrar, a memória de Pinto dos Santos, então presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, sem o qual nunca teria sido possível receber esta missiva enviada a partir da Capital dos Arcebispos.


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