Das causas de instabilidade política, que afeta uma grande parte dos países europeus e sul-americanos, Johann Wolfgang von Goethe, considerado um dos mais importantes escritores e filósofos alemão, tem merecido o maior respeito e estudo por parte dos intelectuais contemporâneos, e construiu, entre outras frases lapidares: – “Quem adormece em democracia, acorda com a ditadura”.
Este raciocínio sintético, mas penetrante e crítico, com enfoque nos vários sistemas políticos, adotados pela maioria dos países, envoltos em constantes disputas pelo poder, entre forças da extrema esquerda e forças da extrema direita, mas quem sai deprimido é o povo, humilde e pacato.
Cite-se, aleatoriamente, o caso do Chile que, presidido por Salvador Allende, de 1970 até 1973, acreditava na democracia representativa, foi derrubado por um golpe militar perpetrado por Augusto Pinochet, que logo instaurou uma ditadura militar, censurou a imprensa e perseguiu severamente os seus opositores, até ser deposto no Plebiscito de 1988, em que o regime iniciou a transição para a democracia, e que a população chilena votou “Não” à sua continuidade, iniciando-se o ciclo das eleições livres.
Cuba: liderada por Flurêncio Batista, sob o regime ditatorial, soçobrou em 1/1/1959 ao golpe militar de Fidel de Castro, que implantou o regime comunista; aproximou-se da U. Soviética, donde recebia forte ajuda financeira e militar, durante décadas, transformando-se num sistema de partido único, de índole socialista. Mas sem o apoio do regime venezuelano e das suas remessas de petróleo, alguém pergunta: será que agora a ditadura cai? Com a interferência do insaciável Trump, Cuba pode ainda ser arrastada para uma ainda maior crise.
Portugal: sob uma ditadura civil, de 1932 até 1974 – após uma ditadura militar catastrófica -, foi objeto de um golpe militar, cuja divisa era a de instaurar uma democracia plena. Inicialmente, geraram-se vários confrontos políticos entre os militares e o povo, pondo em causa as supostas intenções revolucionárias. Depois das turbulências, de cerca de dois anos, o país tem vivido em alternâncias governativas, por interferências partidárias, contestações e protestos, por tudo e por nada, mantendo o povo em constante sobressalto, na incerteza de que a nossa periclitante e corrupta democracia se transforme noutro fenómeno político de extrema esquerda ou de extrema direita, com fortes indícios de uma grave instabilidade, à semelhança do panorama que se vem ensaiando na Itália, França, Alemanha, Ungria, EUA (a maior democracia do mundo, que hoje se está a transformar num regime poluível).
Tinha razão Goethe, quando formulou o pensamento de que: “Quem adormece em democracia, acorda com a ditadura”, e nós acrescentamos que “quem adormece em ditadura, acorda em democracia”.
Portanto, a democracia exige vigilância, participação e defesa constante das liberdades… A democracia não é algo garantido para sempre.
(Cfr. Wikipédia)