22 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

ARRIBA, FADO DE COIMBRA

14 de Julho 2023

fado e a canção de Coimbra têm revelado, nos últimos tempos, um dinamismo que é resultante de décadas de dedicação por parte de cantores, instrumentistas e escolas de fado. Adiciono algum trabalho feito por estudiosos, ações a nível municipal e também por diversos operadores no plano da difusão e mediatização. Hoje o FADO DE COIMBRAestá perto de conseguir uma omnipresença nos grandes e nos pequenos palcos, alguns mesmo de ocasião. Houve espetáculos credores de insuspeita aceitação e apoteose. É evidente que pela sua peculiaridade há alguns jeitosos que surgem na área a coberto de um público sedento da singularidade deste género e cantam, por exemplo, as velhas e quase gastas, Samaritana e Menino d´Oiro, recebendo fortes aplausos. Se estiverem afinadinhos nada a opor, mas seria bom haver um esforço generalizado na criação e apresentação de novos temas e num profundíssimo respeito pela boa qualidade. Obviamente é desejável que não seja vendido gato por lebre e que sejam os melhores e os históricos a estarem atentos às diversas exibições e enquadramentos pelo bem de todos e pelo supremo interesse do Fado de Coimbra e da nossa Canção. Não basta criar associações aglutinadoras. Há uma plêiade de cantores e de instrumentistas que efetivamente são muito bons nos espetáculos cá por casa como o seriam (e são) perante plateias de altíssima exigência. Isto rejubila-nos. Ou seja: Há qualidade. O Fado de Coimbra teve épocas de grande teorização e era mais falado do que exibido. A práxis atual está diferente, mas desejamos que NOMES PRESTIGIADOS E COM PROVAS DADAS perante este itinerário do nosso fado, possam funcionar como CONSELHEIROS, por forma a garantir-se, neste profícuo presente, um Futuro de qualidade sem abdicar das marcas fundacionais. Outro aspeto a ter em conta é o do respeito pela História do Fado, Balada, Serenata, Canção de Matriz Coimbrã, um conjunto de designações que envolvem este género tão conimbricense quanto académico. E ainda o respeito pelo acumular de conhecimentos e de práticas. Não deve, por exemplo, um cantor dissertar acerca do aplauso ou não do fado de Coimbra envolvendo-se numa teia de contradições…porque efetivamente há história e é preciso conhecê-la e divulgá-la com rigor. Pelo menos, penso assim, embora admita poder estar errado. Tomemos, como exemplo, o ZECA AFONSO. Este grande senhor andou por diversas vias, mas voltou, já perto do final, a gravar um álbum com o título FADOS DE COIMBRA E OUTRAS CANÇÕES. Considero este título do álbum como um marco histórico na História do Fado de Coimbra e nas Canções de Coimbra. E uma glorificação e marca identitária neste género musical. O ZECA nasceu a 2 de agosto, em Aveiro, em 1929. Estamos quase a assinalar os 94 anos. Espero não ser preciso chegar aos 100 anos para Coimbra dignificar com estátuas, na toponímia e na Memória Ativa o inesquecível e referencial JOSÉ AFONSO. Ainda falta muito por fazer…e por lhe fazermos, agradecendo-lhe.

 

  1. ANTÓNIO VIEIRA DA SILVA – POETA, CANTOR E HUMANISTA. UM SÍMBOLO DE ABRIL

No plano de aniversários acaba de comemorar 77anos, no último dia 11, uma personalidade histórica da poesia, da música e da medicina. Refiro-me ao DR. ANTÓNIO MANUEL VIEIRA DA SILVA. Natural de Ílhavo. Primeiros versos na adolescência em jornais de Ílhavo e de Aveiro. Em 65 escreve no JUVENIL, suplemento do Diário de Lisboa. Seguem-se publicações na Revista Capa e Batina e na Gazeta do Centro. Já em Coimbra colabora no Círculo de Artes Plásticas. Integra um Grupo de Fados de Coimbra em 68-69. A sua poesia, aliada a uma voz notável, levam-no ao Festival de Música Popular Portuguesa no Casino da Figueira realizado pela Presença Coimbrã em agosto de 69 onde colhe o Primeiro Prémio com o crítico Mário Castrim a presidir ao júri e a elogiá-lo a par da escritora Alice Vieira. Edita o seu primeiro disco com o tema Canção Para Um Povo Tristeque veio a ser apreendido pela PIDE. Vanguardista e humanista colabora com a Revista MUNDO DA CANÇÃO e vem a ser convidado para a dirigir. A sua produção poética surge em antologias. Em 75, o single OS LOBOS: ELES ESTÃO AÍ com a colaboração de José Cid. Promove encontros musicais pelas regiões de Aveiro e de Coimbra. Militância política. Cabeça de lista pela APU, em Penela. Dinamiza o seu concelho com diversas atividades musicais, culturais e sociais. A SUDOESTE é um dos seus últimos temas. Tem duas participações no Programa da RTP-2, CANTOS E CONTOS DE COIMBRA. A vida profissional preenche-o embora ficando sempre algum tempo para cantar, poetar, dinamizar. Se tivesse seguido uma carreira profissional na música e na escrita o seu nome seria mais familiar aos portugueses. Optou pelos interesses da sua terra e dos seus conterrâneos. É um exemplo de CIDADANIA ATIVA difícil de ser igualada. Um grande poeta. Um belo cantor que derrubou muros antes da Revolução dos Cravos. Espero que o país o homenageie nos 50 anos do 25 de abril. Como estudante, cantor e poeta em Coimbra, e depois na sua cidade, como vanguardista e médico, foi simplesmente notável. O país não o pode esquecer. O Presidente da República precisa de conhecer a vida e a obra de VIERA DA SILVA, o ilhavense, médico, poeta e cantor. PARA A CONSTRUÇÃO DA CIDADE NECESSÁRIA é uma das canções de VIEIRA DA SILVA: e tanto ele ajudou a construir a…nossa CIDADE COMUM. OBRIGADO, VIEIRA DA SILVA.


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