Assegurar uma resposta atempada a todas as pessoas que precisam de ajuda, aos mais variados níveis, é uma das prioridades da União de Freguesias (UF) de Santa Clara e Castelo Viegas. No atual cenário de pandemia, que tem agravado as carências sociais, o executivo tem adaptado as suas respostas, procurando garantir que nada falte à população que se depara com maiores fragilidades.
O presidente, José Simão, lembra que a Junta é “a primeira porta” onde as pessoas batem quando precisam, uma realidade que espera se mantenha, uma vez que é “essa a sua função, ajudar os fregueses, e não apenas passar atestados e outros documentos”.
“Temos uma ligação muito próxima com as famílias e temos noção de que agora, com as crianças em casa, as dificuldades aumentam”, realça. José Simão lembra, contudo, que nem todas as pessoas que realmente necessitam vão procurar ajuda, defendendo, por isso, que estes serviços de apoio, como as Juntas e as Comissões Sociais de Freguesia, “não podem esperar apenas que venham ter connosco, temos que procurar, ouvir e estar atentos à realidade de quem nos rodeia”.
Apesar da Junta estar sempre disponível para ajudar, acompanhando e encaminhando as situações que precisam de uma abordagem mais atenta para os diversos serviços, o presidente alerta para o facto de continuar a existir “muita pobreza escondida e envergonhada”.
“Ainda há algumas pessoas que não nos deixam entrar nas suas vidas, conhecer as suas dificuldades. A área social há muito que se assume como uma das nossas grandes preocupações e continua a sê-lo mas a verdade é que só quando se vai a casa de alguém, quando nos aproximamos mais, é que se consegue perceber verdadeiramente a realidade em que vive”, realça.
José Simão explica que a entrega dos cabazes de Natal, que este ano foi feita porta a porta devido à pandemia, permitiu conhecer melhor os cidadãos que beneficiam deste apoio. “Vi coisas que nunca imaginei. Não sabia que havia tanta miséria mas, por outro lado, também vi casas que eram autênticos palácios, com mobílias antigas mas valiosas”, conta.
O autarca diz que todo o dinheiro que a Junta recebe para a área social é aplicado nos vários projetos. “Temos muita procura porque as pessoas sabem que nos podem bater à porta quando precisam”, frisa, dando conta que a maioria dos apoios são a nível alimentar, mas também da habitação e de pagamentos de faturas como água, luz e água. Realça, ainda, que há “um cuidado muito especial com quem está sozinho em casa, sobretudo com os idosos”, uma atenção que foi redobrada agora com a covid-19, sendo frequente alguém da equipa da Junta ir comprar e entregar aquilo que as pessoas precisam e que têm dificuldade em sair de casa para ir buscar. “Não olhamos a horas ou a tempo. A nossa preocupação é resolver a situação sempre que alguém nos liga a dizer que não tem o que comer ou que deixou acabar a medicação”, continua.
Junta assegura consultas de psicologia
José Simão lembra também que a UF criou uma consulta de psicologia para apoiar quem precise deste serviço. O apoio começou por funcionar, ainda antes da pandemia, na sede da Freguesia de Castelo Viegas mas a médica está agora a disponibilizar os seus serviços “pro bono” no seu próprio consultório nesta fase de confinamento.
O autarca explica que o território da UF a que preside tem duas realidades muito distintas, sendo Santa Clara muito urbana e Castelo Viegas mais rural. Isso faz com que as vivências e necessidades dos habitantes seja completamente diferente. “Numa situação normal, uma viúva em Santa Clara sai de casa, vai ao Forum, vai à Baixa… Uma viúva de Castelo Viegas vai ao cemitério e volta para casa sozinha”, alerta.
Também por isso, a Junta tem vindo a criar algumas atividades ocupacionais, como ateliês de pintura, que proporcionam uma ocupação diferente e momentos de convívio a quem quiser.
Neste momento atual, em que as pessoas têm que ficar por casa, a Junta continua sempre disponível para ajudar. José Simão assume que “os pedidos para ir às compras, à farmácia e até para levantar reformas têm vindo a aumentar” mas acredita que isso também se deve ao facto da população “saber que pode vir sempre até nós”.
Para além do apoio alimentar que vai dando ao longo de todo o ano, a Junta tem recebido também doações de empresas, que têm produtos diversos a aproximar-se do fim da validade. “Estamos a dar um cabaz com chocolates, bolachas e outros artigos vários a toda a gente que passe na Junta de Freguesia porque nos deram tantas coisas que temos que as distribuir porque os prazos estão a terminar”, realça. José Simão diz que esta é uma forma de ajudar a comunidade mas também as empresas “porque assim estes bens entram como donativos e não são considerados como lucro”.