24 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Vasco Francisco

APONTAMENTO FINAL

23 de Dezembro 2025

Fiquem-se as coisas boas e esbeltas, as que valem a pena e fazem sentido, esse sentido instintivo e simples que alimenta o verbo viver, na sua conjugação real de bons momentos, de sentir os lugares, de boas conversas, de olhares e sorrisos, de satisfação e calma, de desejo simples que se vive e não se sonha. De viver no que se concretiza e nos satisfaz como pessoas, com admirações e vocações. É essa a verdadeira conjugação que por vezes se dilui no indicativo cotio, essa vida que se vive ao engano, engolidos numa sociedade em que rodamos como ponteiros acelerados, em que a monotonia nos faz os traçados, de estrada, de lugares, de coisas que nos sentimos obrigados e necessitados a fazer e que pouco acrescentam numa sociedade formatada, que se formata com as Eras e com o avanço global que progride, que tanto auxilia como degrada.

Um velho sábio me dizia a uns anos atrás que já não leria este apontamento, pois já cá não andaria neste mundo “azedo e hipócrita” quando estas palavras se despejassem neste tempo. Há que olhar o mundo com esperança e ponderação, mas sem muita exigência, pois a vida é curta para perfeições que não existem, mas é certo que o velho poeta não errara muito, que chegaríamos a um mundo onde nada surpreende, onde há uma sociedade que se degrada de valores, de lutas, de respeito, de sentimento e de escuta pelos outros, de humanismo e civismo. “Ninguém nesta terra é dono do tempo”, mas somos donos da liberdade e é pena quando a vemos com lanças de ameaça, vozes que não serão vencidas, mas é urgente continuar a plantar muitos cravos pelo país e pelo mundo.

As gerações transformaram-se como um processo normal e de esperar, o que se não espera é que vandalizem o que lhes chegou, que humilhem sem dar conta a memória e a vida de quem os trouxe à esfera da Terra. Por mares e caminhos, há sempre estrelas que brilham, sinaléticas em boas direções, vozes que falam e não berram, mãos que agem e não prometem, tertúlias que criticam e não humilham. Que a humanidade as saiba ver e não caia na cegueira sem que adormeça na preguiça de lutar contra ela.

Que a família e os amigos vos encham de boas festas, que vivam a paz que o mundo não vê, que tudo o que vos emoldura seja genuíno e identitário e que a saúde abunde sem desleixos.

A todos os leitores Boas Festas e um vigoroso 2026.


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