21 de Outubro de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Apontamento

9 de Julho 2021

O ser humano desce cada vez mais na escala de valores, vai por aí abaixo na escala normal e torna-se o “homenzinho” cheio de vícios, cheio de más intenções, este “homenzinho” que nasceu do pecado original no sangue, do nada que é nada, do nada “nihil est in intellectu quod prius non fuerit insensunimintellectu ipse”.

Este ser deformado tão contemporâneo encontrou uma escapatória para fugir às boas maneiras do dever cívico e tornou-se venal, a faca de sete gumes para ferir o seu irmão, para lesar o semelhante.

É deste bicho-homem que muitos se isolam numa revolta contra fauna, esta sociedade plena de tipos moralmente maus, de fisionomias endócrinas perturbadas nas funções morais, patológicas ou ainda nas psicoses do mal que é o bem dizer, um círculo-depressivo, que os leva a vestir mil casacas para prejudicar o outro, o semelhante.

Detestar estas criaturas talvez seja o nosso substratum ético ou uma revolta mística do nosso existencialismo cristão ou do nosso neopositivismo.

Seja lá o que for, não podemos com os ambíguos, os vaidosos, os petulantes, os hipócritas, os andróginos da palavra e da honra.

E dos intrusos que nos inundam com tiradas etimologicamente da coisa bem feita, fingidores numa prosa pseudo-literária nalguns jornais pedaços pré-fabricados, sistematicamente anticultura, que lembra o dito de Mallarmé “É preciso exprimir o que se sabe exprimir”.

E com razão.

A sinecura e a perfídia estão na lama de muitos obreiros da escrita, que escrevem para eles e miram-se nas próprias trapalhadas de pretenso interesse público…


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