Há publicações referentes ao cantor MARCO PAULO dando a entender que o seu estado de saúde está muito fragilizado. Deixou de aparecer no seu programa da SIC (Alô, Marco Paulo) e não tem sido cartaz em festas e espetáculos de norte a sul do país como era habitual. Em meu nome, e julgo que o posso fazer em nome de muitos leitores deste jornal O DESPERTAR, desejamos-lhe os votos de recuperação. Preocupa-me o seu sofrimento e fico triste, pois, recentemente, num dos seus POSTAIS, o escritor e jornalista Luís Osório publicou uma crónica na qual nos diz que o cantor está pronto para a sua última viagem.
MARCO PAULO é uma das grandes vozes do nosso panorama musical. Ao longo de décadas a sua postura profissional foi uma referência e a sua carreira está preenchida por vários discos de ouro e de platina. Vendeu milhões de discos. Quando se pensa que o cantor foi e é ídolo de multidões longevas, verificamos que atravessa gerações e os mais novos também o cantam. É importante não esquecer que MARCO PAULO atuou em palcos da nossa cidade e na região onde foi sempre entusiasticamente recebido. Há muitos anos esteve numa Queima das Fitas, ainda no Parque Dr. Manuel Braga, em tempos de recuperação das tradições e festas académicas. Recordo-me, por ter apresentado esse espetáculo, que o cantor viu o palco invadido pelos estudantes e foi carregado em ombros por estes no que alinhou abertamente embora tenha ficado com a ideia de que terá considerado o ato como uma irreverência, mais do que uma apoteose. O seu profissionalismo permitiu-lhe enquadrar-se com simpatia na sessão da Academia de Coimbra e foi reconhecido por isso. É uma das grandes vozes do nosso país e muitos dos seus êxitos são letras em português de algumas canções estrangeiras. Em programas radiofónicos que realizei e apresentei transmiti as suas canções e também recebi o cantor em estúdio em emissões em direto. Nunca escondi que era preciso estar atento às preferências dos ouvintes. Quando MARCO PAULO vinha à Rádio em Coimbra, nas instalações da atual RTP, em poucos minutos apareciam muitas das suas fãs e ramos de flores. MARCO PAULO é, inegavelmente, um cantor popular, muito querido para milhares de pessoas, mas não é pimba, nunca o foi. Tem classe e uma voz que admiramos. Aos 14 anos já frequentava aulas de canto. Conheci-o na Figueira da Foz em meados dos anos 6O num Festival da Canção Portuguesa, uma série de festivais que decorreram na cidade-praia ao longo de dez anos por iniciativa do Turismo local. Numa das edições em que participou e estava a dar os primeiros passos como profissional, entrevistei o jovem cantor para a Revista Capa e Batina e o Formidável fez-nos uma foto em que o editor legendou brincando com o cabelo do Marco Paulo e com o meu. Na sua fase de forte implantação popular MARCO PAULO apresentou na RTP 1 o programa EU TENHO DOIS AMORES e tive o privilégio de ser um dos seus convidados. E cantei uma parte desta canção-título o que era obrigatório para quem ia a estúdio. As televisões souberam estar atentas à popularidade de MARCO PAULO. Agora o popular cantor tem sido o protagonista do programa ALÔ, MARCO PAULO na SIC. ALÔ é uma expressão usada para chamar a atenção ou usada como saudação. Por isso escrevo: Alô Marco Paulo, muita força para ultrapassar essa doença oncológica. Um abraço forte de quem admira a sua voz, o seu profissionalismo e a sua carreira fértil em grandes êxitos musicais.
NOTA DA DIREÇÃO
Estava este belo texto de Sansão Coelho já em página quando chegou a hora final para Marco Paulo. À primeira vista o texto perdera atualidade. Não foi, todavia, o entendimento da Direção do Jornal que neste artigo viu, leu e entendeu a mais bela homenagem que o Jornal e Sansão Coelho poderiam prestar a Marco Paulo.