22 de Fevereiro de 2020 | Coimbra
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Água torna Freguesia de Cernache mais rica

14 de Fevereiro 2020

Cernache reúne um património construído e natural muito diversificado e rico. As casas senhoriais, a Igreja Matriz, a quinta onde se insere o Colégio da Imaculada Conceição, o Museu Moinho das Lapas, as capelas, as fontes e alguns singelos monumentos que serpenteiam toda a Freguesia são algumas das sugestões para quem quer partir à descoberta de Cernache.

Para os amantes da natureza e do desporto, há belos recantos que convidam a desfrutar da paisagem, onde se encontram trilhos e caminhos pedestres, densos pinhais, cursos de água cristalinos e vários espaços de lazer.

A água é um dos elementos muito importantes na Freguesia, onde existiu sempre em grande abundância, graças às nascentes da Feteira, Salviegas, Olho Marinho, Vila Nova e Rifano, que formam a Ribeira de Cernache, cujas águas correm para o Mondego.

Esta abundância de água contribui para que Cernache tenha terrenos férteis, tendo uma agricultura abundante, tanto a nível de frutas como hortícolas e outros produtos, sendo de destacar a grande produção de alhos e cebolas. As cebolas continuam, aliás, a ser uma das grandes referências da Freguesia, “invadindo” todos os anos a Praça do Comércio, na Baixa de Coimbra, numa feira que atrai população e turistas e que associa às artísticas restes de cebolas a gastronomia e a música.

A água levou também a criação de atividades ligadas à moagem que, durante séculos, tiveram enorme importância económica para a região. Os seculares moinhos que ainda povoam o território são testemunhos da importância que os moleiros tiveram na história e economia da Freguesia. O presidente da Junta, António Lopes, explica que “são muito poucos os que se encontram ainda em funcionamento, mas há vários pela ribeira abaixo”. Em tempos, foi criada uma rota mas, entretanto, devido a vários fatores, a maioria foi ficando desativada, encontrando-se muitos abandonados.

Recorde-se que, em 2011, foi publicado um livro sobre a história destes moinhos. Da autoria do historiador Mário Cruz, funcionário da Junta, a obra intitula-se “Cernache, os Moinhos, sua História, sua Gente” e reúne, ao longo de cerca de 400 páginas, mais de 300 fotografias, resultantes de mais de oito anos de investigação. Aborda, de uma forma geral, toda a história local da Freguesia (o senhorio de Cernache, os momentos históricos mais marcantes, o topónimo, os lugares da Freguesia, as figuras históricas mais importantes, a religiosidade, o seu património, os ranchos e a gastronomia), mas dá especial ênfase à história dos seus moinhos. Conta, aprofundadamente, a história universal dos moinhos, desde o período Neolítico, passando pela introdução e desenvolvimento dos mesmos engenhos em Portugal e em Cernache. Dá a conhecer os diferentes tipos de moinhos e seu funcionamento, desde os de água, passando pelos de vento, armação, de papel, até aos lagares e outros engenhos relacionados. Aborda também pormenores sobre a vida do moleiro, os seus utensílios, os meios de transporte, o cultivo dos cereais, o pão, até à queda da indústria moageira. Traça, no fundo, todo o historial dos moinhos em Cernache, desde os seus tempos áureos até à fase em que foram sendo, progressivamente, desativados.


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