Agora que me fica mais vazia
A folha onde eu cantava o teu abraço,
A minha voz chafurda na Poesia
Do Silêncio sem timbre e sem compasso.
Agora que me isolo na agonia
De enxergar que este Mundo é vão fracasso,
Meto uma cunha a Deus e à Deusa-Fria
P’ra que me dês um só sinal do Espaço.
Agora que vislumbro nas estrelas
O teu sorriso, quero protegê-las
De qualquer Verve e até de qualquer Sorte.
Que esta dor de te ter perdido, Amigo,
É a mesma que já nasceu comigo
E mata a Vida, dando vida à Morte!
29/9/2023 Em memória de Carlos Murta Jorge.
Paulo Ilharco