(Prosa – Verso)
Olho o negrume do Céu,
Chuvisca, abro o chapéu.
Chapéu, qual chapéu?
Eu não preciso, estou internado,
Para me redimir fechado.
Ele acordou e viu o meu enorme pecado;
O resto do tempo passou-o a dormir,
E não sentiu um humano a carpir,
As mágoas no desterro d’onde é difícil sair.
Mas afinal quem é esse Ele? Ele Letra Grande?
À noite, em plena solidão, clamo por Ele ou outro alguém.
Ninguém me responde.
Afinal para que servem estes deuses de marfim?
A minha mãe sofreu desmesuradamente,
Os últimos anos de vida; era uma fervorosa crente.
No dia em que partiu, alguém lhe perguntou:
– “D. Carmen, vai-se confessar,
Para as suas dores aliviar?”
– “Não. Sofri muito, e Ele esteve sempre a dormitar.”