Em atividade desde 1989, na cidade de Coimbra, o Serviço de Apoio Domiciliário da Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI) tem cada vez mais procura. O projeto consiste na prestação de cuidados a famílias e/ou idosos que se encontrem em suas casas, em situação de dependência física ou psíquica. A iniciativa tem vindo a fazer a diferença na vida de centenas de pessoas, contribuindo ativamente para a melhoria da sua qualidade de vida.
“Nos primórdios da nossa associação havia mais procura por parte do centro de dia. Nos últimos anos tem-se sentido uma busca maior por parte do Serviço de Apoio Domiciliário”, garante Teresa Sousa, assistente social da ACERSI, em declarações ao “O Despertar”. Conta que, numa fase inicial, o projeto se focava, essencialmente, em oferecer cuidados de higiene e conforto pessoal. Ações como cortar cabelo, aplicar creme, limpeza habitacional, apoio na toma de medicação, acompanhamento a consultas, fornecimento de refeições, entre outras.
No entanto, a crescente adesão à iniciativa levou a instituição a alargar os seus horizontes e a adicionar cuidados que, até então, não existiam. “Há pessoas que têm alguma autonomia e até nem necessitam de cuidados de higiene. Em contrapartida, há quem viva em situação de maior dependência e tenha outras necessidades”, afirma a responsável. Nesse sentido, o Serviço de Apoio Domiciliário passou também a dispor de apoio psicológico e de treino de estimulação cognitiva.
“Vamos tentar inovar”
Com o propósito de ir ao encontro das carências dos seus utentes, a ACERSI garante fazer o levantamento individual das necessidades físicas e mentais dos idosos, criando, posteriormente, respostas em função dessas necessidades identificadas. São exemplo disso, “a questão da ocupação e da estimulação cognitiva e da motricidade fina”, refere Teresa Sousa.
Para que estas respostas sejam mais eficazes, as pessoas-utentes do Serviço de Apoio Domiciliário têm acesso gratuito às aulas dos atelieres dos projetos “Oficina D’Os Avós” e “ ACERSI Cuida +”. No primeiro caso, os idosos dispõem de atividades relacionadas com informática, costura e yoga, com vista ao combate ao isolamento social. No segundo, são fornecidos tabletes aos utentes, que permitem que, através de um software interativo e simples, estes possam aceder a jogos que estimulam a memória e a motricidade fina. Além disso, é ainda possível fazerem chamadas de vídeo com a família, minimizando o sentimento de solidão.
O projeto demonstra, assim, ter um forte impacto ao nível da saúde mental dos utentes. A equipa multidisciplinar tem sido fundamental para melhorar a sua qualidade de vida, mas não só. A assistente social descreve os técnicos como sendo “uma companhia” que está sempre disponível para os idosos. “Se alguém necessitar, pode pegar no telefone e, simplesmente, conversar. Com isto, acabam também por criar laços de amizade e de entre-ajuda”, salienta.
Num futuro próximo, a ACERSI vai introduzir novas modalidades no Serviço de Apoio Domiciliário, todavia, Teresa Sousa opta por manter o segredo e não relevar, por enquanto, mais pormenores. Garante apenas que “vamos tentar inovar”.
Serviço é cada vez mais importante
Os cidadãos que usufruem do apoio da ACERSI chegam à instituição pelo próprio pé ou por referência de alguns serviços da comunidade (nomeadamente, centros de saúde, hospitais, segurança social ou câmara municipal). Teresa Sousa não tem dúvidas de que há cada vez mais pessoas a precisar do Serviço de Apoio Domiciliário.
“Temos uma população cada vez mais envelhecida e com diversas necessidades (…) Assim, os serviços estão a direcionar-se mais para o apoio ao domicílio: para que a pessoa permaneça na sua casa e não tenha de sair forçosamente”, sublinha. Isto porque, na sua opinião, as estruturas residenciais são boas respostas, no entanto, o utente tem de querer optar por elas. “A verdade é que ele [o utente] tem o direito de querer permanecer na sua habitação com os cuidados necessários e qualidade de vida”, acrescenta.
É isso que a ACERSI tem vindo a oferecer: uma vida mais risonha e saudável. O feedback ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido é “muito bom”, essencialmente, porque as pessoas sentem o carinho da equipa para com elas. “Todos os dias veem alguém que vai lá a casa e que cuida; que zela pelo seu bem-estar, sempre respeitando a sua individualidade e espaço pessoal”, frisa a assistente social.
A equipa é constituída por profissionais preparados para o efeito, no entanto, Teresa Sousa reconhece que “seria excelente se tivéssemos voluntários que nos ajudassem no acompanhamento dos idosos a consultas”. Por enquanto, o voluntariado vive-se apenas dentro da instituição sem que haja um contacto direto com o utente.
Respostas são “muitas”
Atualmente, são muitas as pessoas que não querem sair das suas casas. “Há quem crie alguma resistência a respostas mais institucionais”, confessa a assistente social. Deste modo, o apoio domiciliário é recebido de braços abertos. Segundo a responsável, a sociedade está atenta a essa realidade, existindo, hoje em dia, “muitas respostas” no país para quem quer ser acompanhado na habitação onde vive.
“Têm surgido cada vez mais respostas, quer ao nível do setor social, quer a nível privado”, admite. O Serviço de Apoio Domiciliário é uma delas e já há muitos anos. A longevidade do seu trajeto não deixa margem para dúvidas: a ACERSI é uma instituição importante para a população de Coimbra. “As pessoas que nos conhecem depositam total confiança em nós. Veem-nos como uma instituição séria e que está sempre ao lado de quem precisa”, orgulha-se Teresa Sousa, reiterando que “fazemos a diferença na vida desta população todos os dias”.