Numa sinopse introdutória, o primeiro homem (homo habilis) representa a humanidade nascente, e o Homem de neanderthalensis (predecessor do homo sapiens), impôs-se como seu sucessor, com um cérebro desenvolvido, que lhe permitia fabricar e utilizar ferramentas e, tal como nós, sepultava os seus mortos. Ter-se-á extinguido há mais de 28 mil anos. Esta espécie é considerada por alguns especialistas como subespécie de Homo sapiens, a única espécie do género Homo ainda viva.
A curiosidade e o desejo de compreender e usufruir do meio ambiente, explicar e manipular fenómenos, motivaram o desenvolvimento da ciência, filosofia, mitologia, religião e outras áreas de estudo da humanidade. Os genes e o ambiente influenciaram a variação biológica humana em caraterísticas fisiológicas, suscetibilidade de doenças, faculdades mentais, tamanho do corpo e longevidade. Devido a um córtex frontal muito desenvolvido, tem-lhe permitido avanços tecnológicos e o desenvolvimento de ferramentas complexas, possíveis por meio da razão e da transmissão de conhecimentos às gerações futuras.
Esses conhecimentos, que inicialmente lhes bastavam para garantir a subsistência e uma vivência confortável para a época, cedo lhes espevitaram a índole da cobiça, ambição, ganância, que materializaram no recurso às armas (rudimentares), para combaterem os outros povos e lhes conquistarem os territórios, porventura mais férteis, subjugando, matando ou submetendo-os à condição de escravos.
O Homem, criatura racional, por oposição ao divino e, assim, falível, tem capacidade de errar (errare humanum est). Bastará referir que a vontade de inteligência e de razão só o cérebro humano possui (consciência e entendimento), tal como Schopenhauer especulou e concluiu que a vontade absoluta de viver entranha em si a guerra de todos contra todos – o egoísmo. É afirmar-se como exceção, como ser mortal, frágil, de estatuto errático.
O “conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates (o filósofo), de intenção ético-sapiencial, mas de inspiração religioso-divina, pode significar: “considera, ó homem, a tua dignidade, mas mantém-te na tua fronteira, pois não és deus algum”. Nele há, de facto, uma diferença entre necessidade e liberdade. Ele não é um ser solitário, antes do “eu” e do “tu” há um “nós”. Por isso, haverá sempre uma tensão entre indivíduo e sociedade. Mais de que indivíduo é um “sócius”. Sente-se ameaçado estruturalmente pela sua mundanidade corpórea, corruptibilidade e mortalidade, na sua existência livre e pessoal.