9 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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Martinho

A DISPUTA DO PODER A QUALQUER PREÇO

9 de Fevereiro 2024

A questão da teoria política moderna, no seio da qual germinou a democracia político-parlamentar, foram as propostas de John Locke, que defendeu o sistema de democracia representativa vinculada ao poder dos representantes do povo, eleitos pelo povo; e de J.J.Rousseau, que optou pela democracia participativa direta, em que o povo, submetido às leis deve ser o seu autor, só aos que se associam cabe reger as condições da sociedade, e acrescenta: a soberania não pode ser representada.

Aferidos os prós e os contras, muitos povos, como nós, adotaram a democracia representativa, de Locke, a qual não garante maior fidelidade à democracia, não defende melhor os interesses dos eleitores, mas apenas os das elites partidárias. Nas democracias representativas os eleitores “votam no escuro”, porque não conhecem os candidatos a deputados, a sua origem, o seu perfil político-social, sendo a sua indigitação apanágio dos dirigentes partidários que, à exceção das elites que lhes fazem sombra, promovem os seus mais fiéis seguidistas, que agem como autênticos títeres às mãos do líder, em detrimento dos seus próprios sentimentos democrático-partidários.

Se esta degeneração desacredita a classe política e a génese da democracia, ela agrava-se com a corrupção e o compadrio dos governantes e seus apaniguados, obreiros do cadinho onde lançam forças policiais, professores, prof. de saúde, tribunais, habitação, crescimento económico, irradicação da pobreza, etc. – mostra incontestável de como o país tem andado à deriva.

As campanhas eleitortais não são menos degradantes, formatadas ao jeito de desgarrada folclórica, de escárnio e maldizer contra os adversários, geradores de todos os males, em vez de assumirem atitudes construtivas, com interesse útil para os portugueses, intoxicando-os com retóricas veiculadas pelos meios de comunicação social, cientificando-os de que o seu voto constitui uma inutilidade –  foco de uma cada vez maior abstenção eleitoral.

Afinal, a quem se deve este descalabro? Aos últimos governos ou aos anteriores? Da resposta a este quesito depende a interpretação da oratória dos pseudocientistas políticos e a respetiva convergência do voto nas próximas eleições legislativas. É que, até agora, além das promessas e de outras tantas mentiras, não se tem conhecimento que baste dos programas dos partidos concorrentes, para se poder aquilatar qual deles responde ou responderá aos anseios da população.

 

 

 


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