9 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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Clara Luxo Correira

A 19 é nova…

28 de Julho 2023

Queridos leitores, esta semana entro nas vossas casas porque já estou com saudades vossas!

Depois de uns dias intensos, passados em várias cidades, “aterrei” no meu bairro lisboeta. As horas perdidas nos aeroportos deixaram-me cansada e por isso o fim-de-semana foi saboreado a ritmo lento, enquanto ganhava coragem para “subir” até à minha cidade-mãe!

No domingo o almoço-pequeno foi no café do bairro, que frequento há 22 anos. O dono deste ponto de encontro não é o mesmo de sempre, mas muitas das pessoas que o frequentam são (re)conhecidas.

Já fui cliente de tertúlias de futebol e agora sou “a cliente que aparece de vez em quando”, muitas vezes em boa companhia (Monocle, Wired e Harvard Business Review). Este café fica muito perto do estádio do Sporting e pouco longe do estádio do Benfica… este café convida a conversas sobre a bola, mas estas não correm sempre bem…

Na mesa em frente da minha estão três pessoas: duas senhoras e um senhor. As senhoras conversam enquanto o senhor desenha. O cliente-artista tem um caderno de cor vermelha, com capa dura e muito semelhante aos cadernos onde (d)escrevo os meus dias. O material que utiliza desperta a minha atenção porque é normalmente utilizado por quem faz do desenho mais do que um passatempo. Fiquei com muita pena de não ver o resultado do trabalho, guardado pelo meu vizinho com muito cuidado no seu telemóvel… fiquei com muita pena por ter desperdiçado esta aula de desenho…

Ver o senhor-desenho despertou a minha vontade de escrever e é por isso que hoje os meus queridos leitores têm estas letrinhas para ler. Prometi a mim que irei recuperar o bom hábito de trazer sempre comigo o caderninho dos textos, para que estes deixem de ser escritos em faturas ou pacotes de açúcar. Esta altura do ano, naturalmente mais descontraída, é sempre fértil em apontamentos da minha vida…

Na mesa ao lado da minha estão três pessoas: duas senhoras e um senhor. Enquanto uma das senhoras lê, o senhor lança um desafio matemático a quem o escuta… três pessoas vão almoçar fora, a conta totaliza 30€… o dono do restaurante faz um desconto de 5€…para facilitar o troco o empregado fica com 2€… quanto paga cada pessoa? (Este desafio matemático escondia outros desafios…).

Numa outra mesa bem pertinho de mim está um simpático senhor, em amena cavaqueira com a menina que me trouxe a meinha de leite… de repente o senhor caiu da cadeira e todos pensamos que esta se tinha partido… afinal foi o chão que cedeu, e a perna da cadeira entrou no buraco. Se me tivessem contado acho que não acreditaria…

Naquela manhã de domingo eu estava em ritmo lento e por isso nas mesas perto de mim as pessoas iam mudando… a pior coisa que me pode acontecer quando estou a juntar letrinhas do bairro é ter uma mesa vazia perto de mim… são as conversas dos meus vizinhos que me inspiram e divirto-me a juntar o que vejo e o que não vejo, o que foi dito e o que não foi dito…

Ao sentar-me na esplanada do café do bairro soltei uma gargalhada quando escutei: a 19 é nova…

 


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