6 de Outubro de 2026 | Coimbra
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Martinho

O QUE SE PASSA NA RUA DA SOFIA?

2 de Outubro 2026

                  Esta simbólica artéria da Baixa de Coimbra, como dizem os entendidos em mobilidade – tal como as Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, que foram vencidas pelo tempo – cujo prestígio correu a Europa dessa época, como refere o escritor António Vilhena, num seu recente artigo, acaba de ser desvirtuada pelo Município de Coimbra, que não aferiu os prejuízos que causava aos comerciantes, nem as graves restrições que impunha aos automobilistas, que das vias circundantes para ela convergiam, para aceder à Alta de Coimbra e aos seus monumentos, principalmente à sua vetusta e famosa Universidade e às componentes culturais.

Adivinha-se que os argumentos em que se apoiaram para essa alteração foram os de que os automobilistas dispõem de várias alternativas de acesso a essas zonas, pela rua de Aveiro e pelas circulares internas e externas, etc. Todavia, esses trajetos fazem retroceder os comerciantes, os prestadores de serviços, os moradores da zona do Arnado e os automobilistas, à Casa do Sal, roubando-lhes boa parte do tempo até chegarem ao seu destino.

Há ainda que contar com afluxo de viaturas àquelas vias alternativas, que gera saturação de trânsito, acarretando ainda mais atrasos, só porque a Edilidade – preocupada em deixar a sua marca “ad aeternum” – deslumbrou-se com a transformação daquela via num “monstro”, e ignorou os seus complementos estéticos, que distinguem o belo do feio, porque aquela artéria não se cinge apenas ao seu piso e ao implantado adorno das floreiras – se não fossem um empecilho para a paragem (pelo tempo estritamente necessário para breves operações de carga e descarga) #  do conceito estacionamento das viaturas dos fornecedores que abastecem os estabelecimentos, enquanto resistirem…!

Esses complementos estéticos deviam abranger também as fachadas dos prédios que a delimitam, algo degradadas, impondo o dever do Município, de obrigar os proprietários a procederem à limpeza e conservação das referidas fachadas, sob pena de os substituir, na execução dessa tarefa, com o retorno dos respetivos custos.

O mesmo dever cabe ao município, relativamente ao piso dos passeios, em calçada portuguesa (de mosaicos de calcário e de basalto), de proceder à sua conservação e aplanamento, constituindo um obstáculo incómodo para os transeuntes idosos, porque lhes afeta a locomoção e o equilíbrio.

Estas medidas, que deviam preceder a transformação da Rua da Sofia, foram ignoradas pelo Município, deixando a obra incompleta e enquadrada num cenário humilhante. Demais, nem tudo que é legal se conjuga com os direitos dos cidadãos, sobretudo quando esse legalismo não respeita o direito natural e a equidade, que município não observou. A iniciativa de promover a modernidade, voltada para o bem-estar do povo, é sempre de louvar, mas não pode virar as costas às suas legítimas expectativas, quando o afeta, por força dessa lógica de modernidade, ao violar a coerência dos factos que a coerência exige.

 


  • Diretor: Lino Vinhal

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