25 de Setembro de 2026 | Coimbra
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Ordem dos Farmacêuticos do Centro reforça presença no terreno

25 de Setembro 2026

O Dia Nacional do Farmacêutico assinala-se amanhã (26), uma data que celebra o compromisso, a dedicação e o impacto vital destes profissionais no sistema de saúde e na sociedade.

Cumprindo uma tradição com mais de três décadas, as comemorações anuais são organizadas de forma rotativa pelas três Secções Regionais da Ordem. Este ano, a responsabilidade da organização cabe à Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos (SRN-OF), que escolheu a cidade do Porto como palco principal das celebrações centrais.

O ponto alto das festividades é a Sessão Solene Comemorativa, que reúne dezenas de profissionais para homenagear diferentes gerações que marcam a farmácia em Portugal. Durante a cerimónia, a Ordem distingue os farmacêuticos que completam meio século de licenciatura e de entrega dedicada à profissão, ao mesmo tempo que premeia o mérito dos jovens talentos, distinguindo os estudantes que alcançaram as classificações mais elevadas no Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas nas várias instituições de ensino superior do país.

Um dia que promete ser especial para os profissionais desta área.

 

Secção do Centro destaca prioridades

Lúcia Santos, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Farmacêuticos, traça uma estratégia clara para a região Centro com base na aproximação do profissional ao terreno e uma aposta na diferenciação científica.

Para a responsável, o principal desafio atual passa por transformar o potencial técnico e a proximidade destes profissionais numa capacidade efetiva de intervenção no sistema de saúde.

Com uma geografia diversa e realidades muito distintas entre o litoral e o interior, a Secção Regional do Centro tem como pilar de ação o contacto direto com as comunidades e com as instituições locais. Através da iniciativa “Ao Encontro dos Farmacêuticos no Centro”, a estrutura tem percorrido a região para ouvir de perto quem está diretamente no terreno.

“Acredito que uma Ordem profissional não pode conhecer a realidade apenas a partir da sua sede. Tem de ir ao terreno, ouvir e perceber onde estão as dificuldades, mas também onde estão as oportunidades”, sublinha Lúcia Santos.

A par do acompanhamento no terreno, a aposta na qualificação e diferenciação profissional surge como prioridade perante as mudanças aceleradas do setor, como a inteligência artificial, o aparecimento de novas terapêuticas e a prevalência acrescida de doenças crónicas. “Precisamos de farmacêuticos preparados para responder a essa transformação”, afirma.

Ainda como primazia, Lúcia Santos considera fundamental reforçar o contributo dos farmacêuticos para a saúde das populações. “Temos profissionais altamente qualificados, presentes em todo o território e em múltiplos níveis do sistema de saúde. Num contexto de enorme pressão sobre o SNS, não aproveitar plenamente essas competências seria, no mínimo, um desperdício”, assegura a presidente.

 

Atrair jovens à profissão

Com instituições de referência na região, como a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) e a Universidade da Beira Interior (UBI), o Centro assume-se como um polo dinamizador do conhecimento farmacêutico. Contudo, a presidente alerta que garantir o ensino de excelência não basta. “É preciso conseguir envolvê-los [estudantes], criar oportunidades e dar-lhes razões para construírem aqui o seu percurso profissional”, disse.

Ciente de que esta aproximação tem de começar ainda durante a formação, a Ordem criou a figura das Embaixadoras da Juventude, garantindo que as novas gerações participam ativamente na construção das dinâmicas institucionais.

“Quero uma Ordem em que um jovem farmacêutico não sinta que tem de esperar dez ou quinze anos para ter voz. A renovação de uma profissão faz-se trazendo os mais jovens para a mesa enquanto ainda têm vontade de a mudar”, refere a profissional.

Servir as pessoas

Numa profissão em que é preciso estar preparado diariamente para os desafios do quotidiano, Lúcia Santos garante que o maior obstáculo atualmente na área passa por transformar o enorme potencial dos farmacêuticos em capacidade efetiva de intervenção no sistema de saúde.

Ciente da qualidade dos farmacêuticos distribuídos nas várias vertentes da saúde, desde as farmácias comunitárias ao hospital, passando pela indústria, distribuição, investigação e análises clínicas, destacando ainda o conhecimento e proximidade dos profissionais à população, a presidente realça que nem sempre o sistema utiliza plenamente essas competências.

Diante do envelhecimento demográfico e das disparidades regionais de acesso aos cuidados, a resposta não deve assentar na reclamação de “mais espaço para si próprio”, mas sim trabalhar de forma verdadeiramente integrada.

“Muito genuinamente, o que nos interessa no final não é tanto o que é que a profissão ganha, mas sim o que é que as pessoas ganham se utilizarmos melhor os farmacêuticos que temos. É com esta mudança de perspetiva que devemos olhar para as transformações e para as reformas necessárias no sistema de saúde”, conclui.


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