25 de Setembro de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Sonho Imperfeito

25 de Setembro 2026

(Verso Em Prosa)

Quando morrer quero um dia chuvoso,

Relâmpagos e coriscos, enfurecidos,

Que fotografem a minha vida apoquentada.

Por isso, digo, que a coisa mais estranha na morte,

É a vida,

O prolongamento da vida,

A continuação de todas as vidas que nos rodeiam,

Enfronhadas nas suas rotinas,

Como se fossem normais,

Tudo normal.

As vozes sempre a dizerem-me ânimo,

Como se a força abundasse,

Quando já não sentimos a vida,

Por dentro de nós.

Tudo foi um sonho Imperfeito.

Acordei estremunhado.

Peguei no livro da mesinha de cabeceira “cadernos” de Camus.

Às tantas escreve o autor: “morremos sós, todos morremos sós”.


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