Celebrar e manter vivo o caminho percorrido por Santo António até ao nosso século XXI pode também significar voltarmo-nos a interrogar sobre algumas das questões mais antigas e mais atuais da condição humana:
O que nos torna humanos?
O que nos devolve humanidade?
Quando nos olhamos do outro lado do espelho, quem e o quê escutamos?
A herança biológica? A família? Os encontros e desencontros que marcam o nosso caminho? Os livros que lemos? A música que escutamos? O ambiente onde crescemos? As escolhas que fazemos? Ou, cada vez mais, a tecnologia?
E, no meio de tudo isto, o que permanece verdadeiramente nosso?
Estas são algumas das questões que nos servem de mote para um Tertuliar descontraído, inspirada em dois livros de natureza surpreendentemente convergente: Quem nos Faz como Somos (2007), J. L. Pio Abreu, e Magnifica Humanitas (2026), Papa Leão XIV.
Embora separados por quase duas décadas e escritos a partir de perspetivas diferentes, ambos os autores se e nos interrogam sobre a mesma realidade fundamental: a pessoa humana.
Quem somos? Que semente de futuro queremos ser?
Pio Abreu procura dar-nos a compreender como a personalidade se molda a partir de uma mistura dinâmica entre património genético e biológico, da infância, das relações que co-criamos e do contexto social onde nos (re)encontramos — aqui sugerimos a leitura de “o que se passa na infância não fica na infância”. Leão XIV fala da dignidade humana num tempo em que a inteligência artificial e as novas tecnologias influenciam profundamente a forma como pensamos, escolhemos e nos relacionamos. Em suma: quais os lugares de escuta activa que abrimos?
Os dois livros acabam por convergir numa questão essencial: seremos apenas o resultado de influências herdadas e dos contextos sociais onde crescemos e nos movemos, ou existe em cada um de nós uma liberdade, uma consciência e uma singularidade que nenhuma explicação biológica, social ou tecnológica consegue esgotar? Num mundo em rápida transformação, a pergunta é: o que fazes com aquilo que és?
Mais do que procurar respostas, pretendemos criar um espaço de diálogo, escuta e partilha em torno de uma pergunta que nos continua a desafiar:
O que nos faz humanos?
Brevemente, em Conversa(s) no Mosteiro.