Lawrence Kohlberg (1927-1987), autor de uma teoria do desenvolvimento moral (“Teoria dos estádios do desenvolvimento moral”), foi um psicólogo americano que se situou na linha da Psicologia do Desenvolvimento, iniciada pelo psicólogo suíço, J. Piaget (1896-1980). Para aquele psicólogo americano, a consciência moral desenvolve-se correlativamente com o desenvolvimento cognitivo e de acordo com uma determinada perspetiva social, explícita no modo como cada um perceciona os outros, como avalia os seus pensamentos e sentimentos ou como considera os seus papéis e estatutos sociais, no âmbito de uma determinada conceção da ordem social. A avaliação moral, ou seja, os critérios que um indivíduo utiliza para avaliar o que deve ou não deve fazer em determinada situação, está dependente de processos cognitivos, sendo o resultado de uma avaliação racional das situações e dos comportamentos a adotar. Estamos assim, perante uma teoria que valoriza o primado da racionalidade sobre as componentes sócio-afetivas e emotivas do comportamento humano, para explicar a formação do juízo moral e o comportamento daí decorrente, aproximando-se do “intelectualismo moral” socrático que defendia, já na Antiguidade, a determinação da ação moral pelo conhecimento dos valores morais, defendendo que “a prática do bem, pressupõe o conhecimento do Bem e quem conhece o Bem não pode deixar de o pôr em prática: a injustiça e o mal, que se verificam na ação, são frutos da ignorância.” Ainda sob alguma influência do pensamento socrático, encontramos na teoria de Kohlberg a ideia de que a educação para a Justiça, pode realizar-se através de um treino do juízo moral, sendo a Justiça um valor supremo da moralidade – valor sacralizado – segundo o qual a ação moral se deve orientar. A própria metodologia de investigação seguida por Kohlberg, em parte semelhante à que foi seguida por Piaget, pode igualmente ser qualificada de «socrática». Através dela, pretende-se fazer com que um sujeito- criança, jovem ou adulto – expresse o seu pensamento a propósito de problemas morais ou avalie comportamentos e escolhas efetuadas em situações conflituosas: são-lhe apresentadas histórias sob a forma de dilemas que relatam situações morais hipotéticas, relativamente às quais terá de tomar posição entre várias hipóteses de ação. Partindo da análise das respostas obtidas, Kohlberg classifica-as segundo a orientação e as motivações que apresentam, fazendo-as corresponder a um determinado estádio de desenvolvimento moral, o que lhe permite uma hierarquização dos juízos morais, em níveis de desenvolvimento moral. Kohlberg identificou três níveis de desenvolvimento do juízo moral, cada um deles comportando ainda dois estádios distintos: níveis pre-convencional; convencional e pós-convencional, comportando no total seis estádios de desenvolvimento. Aqueles níveis de desenvolvimento representam, no seu conteúdo, um modo de definir e distinguir o bem e o mal e constituem três modos diferentes de relação do sujeito com as regras morais e as expetativas da sociedade. L.Kohlberg concebe o desenvolvimento da consciência moral, como um processo que progride gradualmente por um período bastante longo e de forma muito diversa – e não apenas até aos 12 ou 13 anos, como preconizava Piaget. Esse processo efetua-se de acordo com as especificidades dos sujeitos e com as situações vividas e interpretadas por eles. Também Kohlberg defende que a existência daqueles níveis distintos de moralidade, encontra-se em sujeitos de diferenciadas culturas e que têm correlação com as suas idades, afirmando ainda que “a inteligência pode ser uma causa necessária, mas não suficiente, do progresso moral dos indivíduos”.