Os municípios da Lousã, Góis e Arganil uniram-se num projeto-piloto, em parceria com o Ministério da Agricultura, para estimular o surgimento de novos pastores e rebanhos na região. A iniciativa, que deverá estar plenamente operacional até ao início do verão, prevê apoios financeiros diretos para a aquisição de gado e para o suporte aos postos de trabalho criados. Segundo o presidente da Câmara da Lousã, Victor Carvalho, o objetivo é garantir a continuidade de atividades tradicionais e assegurar o fornecimento de produtos endógenos, como o cabrito e a chanfana, essenciais para a gastronomia local.
Além da vertente económica e gastronómica, o projeto assume um papel estratégico na gestão do território e na prevenção de fogos rurais através da utilização de “cabras sapadoras” para o controlo de pastos. Victor Carvalho defende que é fundamental conferir à atividade o estatuto de “profissão sexy” e atrativa, combatendo o estigma associado ao setor para captar o interesse das camadas mais jovens. O autarca acredita que, ao tornar a carreira financeiramente viável e interessante, será possível garantir a renovação geracional numa profissão vital para o equilíbrio dos ecossistemas serranos.
A iniciativa conta ainda com o apoio da Região Metropolitana de Coimbra, que reforça a importância de dinamizar a fileira da caprinocultura numa lógica de criação de valor. Jorge Brito, secretário executivo da estrutura regional, anunciou para breve uma nova edição da Escola de Pastores, em parceria com a Escola Agrária de Coimbra, como forma de capacitar os novos agentes. Este esforço conjunto visa promover uma “nova ruralidade” que seja estimulante para os jovens e que ajude a fixar população através de atividades económicas sustentáveis e profundamente ligadas à identidade do território.