19 de Abril de 2026 | Coimbra
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Pedro Falcão

Albert Camus e o absurdo da vida

17 de Abril 2026

Nascido na Argélia, em 7 de novembro de 1913, Albert Camus faleceu em 4 de janeiro de 1960 num acidente de viação, deixando uma obra incompleta e que transportava no automóvel acidentado: “O Primeiro Homem”, texto autobiográfico que seria publicado postumamente em 1994. Dos outros textos ensaísticos, destacam-se, “O Mito de Sísifo” (1942) e “O Homem Revoltado” (1951); a nível da ficção, temos, “A Peste” (1947), “A Queda” (1956) e “O Estrangeiro”, publicado em 1942 e adaptado ao cinema por Luchino Visconti em 1967 e havendo este ano, de 2026, uma nova versão cinematográfica. Nesta obra de Camus, questiona-se o sentido da existência humana e aborda-se o destino de um homem perante o absurdo que é a vida.

Albert Camus foi galardoado, em 1957, com o Prémio Nobel da Literatura, apenas com 44 anos, pelo conjunto da sua obra e como um dos grandes e consagrados autores e pensadores da literatura francesa do século XX. Grande parte da sua obra literária foi desenvolvida sob a influência do existencialismo francês, corrente filosófica de que Jean-Paul Sartre é o máximo representante no século XX. Foi também sob a influência do escritor Franz Kafka (1883-1924) e do filósofo alemão F. Nietzsche (1844-1900), que Camus tratou díspares temas nas suas obras.

Segundo A. Camus, o absurdo é o que caracteriza a condição humana e traduz-se em que a vontade humana quer clarificar e tornar compreensível o mundo e descobrir-lhe um sentido e isso é constantemente negado pela realidade que se oculta e impede qualquer clarificação. A vida humana é um esforço aparentemente inútil e sem esperança, mas temos de viver com isso e substituir o desespero pela revolta.  Camus considera que perante o sem sentido da existência, o absurdo da vida, devemos revoltar-nos e lutar contra as injustiças e o sofrimento e pela defesa de alguns ideais num mundo onde não existe fraternidade, liberdade e justiça.  Não devemos renunciar a viver, pois o sim à vida envolve um não a tudo o que ela tem de cruel e injusto. Acabar com a vida, suicidando-nos, com o pretexto de que a vida é absurda é aceitar o fracasso. O homem deve aceitar o desafio da vida porque esta é um problema sem solução e suicidar-se é iludir o problema. Não devemos, por isso, entregar-nos voluntariamente à morte, mas lutar para construir um mundo melhor, apesar de Camus entender que o suicídio é o maior e primeiro problema verdadeiramente filosófico: decidir se a vida vale a pena ser vivida ou não, eis a grande questão que se coloca a cada um dos humanos, perante o absurdo da vida.


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