19 de Abril de 2026 | Coimbra
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Martinho

O ANALFABETO DO SÈCULO XXI

10 de Abril 2026

Alvim Toffler, futurista e escritor dos EUA, redefiniu o conceito da verdadeira alfabetização, argumentando que esta competência não está na literatura e na escrita tradicionais, mas na capacidade cognitiva e adaptativa, capaz de conhecer o conjunto de ciências que têm como objeto o conhecimento e os seus processos de aquisição. “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”. Esta ideia foi desenvolvida no contexto da transição para a “Terceira Onda” (a era da informação), onde a fixação em métodos do passado impede a inovação constante, a habilidade mais importante, a flexibilidade mental e a capacidade de adaptação contínua.

Lobo Antunes, um dos escritores contemporâneos de relevância, explorou aquele pensamento; criou-o autonomamente; ou então limitou-se a uma mera citação, quando afirmou que “aprender depressa é o novo analfabetismo. A cultura é uma obra apavorante para os ditadores. O povo que lê nunca será um povo escravo”. O que daí ressalta não será uma alternativa, por que ambos convergem para o mesmo pensamento, no quadro do panorama geral do ensino, a que o nosso país não é indiferente, especialmente nos programas curriculares ou nos métodos de ensino.

Admitimos, em consonância com os sucessivos executivos que nos têm governado, desde a estabilização institucional, que supostamente vêm dedicando ao ensino a melhor das atenções, mas os reflexos dessa boa vontade não se veem espelhados nas escolas, ou porque os programas estão desajustados às suas expectativas; ou porque não são escrupulosamente respeitados pelas diretorias escolares; ou, in extremis, porque os docentes não os conseguem incutir na mente dos educandos – ressalvando-se as honrosas exceções daqueles que são assíduos, que se mostram interessados em aprender – o que não é medianamente conseguido, porque estes não colaboram, não se mantêm atentos, são indisciplinados e, com a indolência de aprender, servem-se de outros meios para iludirem os pais e professores com os resultados (maliciosos) dos testes que lhes apresentam.

Esta ilusão procede dos mais recentes smartphones na área da IA, cujos sistemas são capazes de transformar completamente a forma como interagimos com os nossos dispositivos, e uma das inovações mais marcantes desta nova geração de telemóveis “é a capacidade de ler mensagens e responder automaticamente quase como se fosse um assistente pessoal humano”. ”Na prática, o telemóvel analisa o conteúdo das mensagens recebidas, SMS, mails, mensagens de aplicações, etc., em que o WhatsApp, compreende o contexto e envia respostas automaticamente”. Estes e outros dispositivos evolutivos vão proporcionar às atuais e às futuras gerações académicas algum laxismo na aprendizagem, garantido que está o seu progresso (irreal) na formação profissional.

Mas, apesar desta nefasta previsão, “a tecnologia apresenta-nos vantagens na poupança de tempo, neste mundo onde a comunicação é constante e muitas vezes excessiva, ao que ela responde rapidamente a mensagens simples, aumentando significativamente a produtividade. Além disso, esta funcionalidade é especialmente útil em situações de condução, onde a segurança prescinde do uso manual do telemóvel, de reuniões ou momentos de trabalho intenso, gestão de múltiplas conversas simultâneas e a acessibilidade para pessoas com dificuldades motoras ou visuais, que podem beneficiar de respostas automáticas e leitura de mensagens em voz alta”.

“Apresenta, no entanto, algumas preocupações: a privacidade e a autenticidade da comunicação. Saliente-se o facto de, como se disse, no futuro próximo, o smartphone poder deixar de ser apenas uma ferramenta e passar a ser um verdadeiro assistente digital inteligente, capaz de compreender, comunicar e agir em nosso nome”.

“Estas ferramentas produzem rapidez, mas não produzem compreensão, produzem rapidez mas não pensamento, não há transformação do sujeito… Aprender exige tempo, silêncio, fricção intelectual e a coragem de errar”!!!

Retornando aos pais, eles pecam por não procurarem averiguar assiduamente o comportamento escolar dos filhos, com o sucesso dos resultados nos testes, ou com o insucesso nos restantes índices de avaliação no final, ou então, face a um eventual insólito aproveitamento, decidem arrostar os professores do porquê da conduta (maliciosa)dos filhos, em vez de investigarem as causas ocultas, que são de fácil deteção, porque o eco do anúncio já se expande pelo mundo alfabetizado, o que gera o desconforto dos professores, a exacerbação infundada dos progenitores, das evasivas dos órgãos das respetivas direções, que em vez de assumirem a anormalidade advinda da passividade da estrutura hierárquica, a quem compete constrangê-la a repensar os métodos de ensino, os meios de controlo das astúcias impertinentes e indisciplinares dos alunos, para debelarem toda essa periclitante situação, que tem progredido exponencialmente, de acordo com os índices de insatisfação de todo o panorama docente e discente.

 


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