Gosto muito de ver um programa de TV chamado Irritações e, às vezes dou por mim a pensar que podia integrar aquele painel. Como ainda não recebi o convite, esta semana decidi partilhar com os meus queridos leitores algumas das minhas irritações.
Tecladores furiosos de sábado de manhã – vou ao café do meu bairro lisboeta, escolho uma mesa tranquila e começo a ler uma das minhas revistas preferidas: Monocle. Peço, com muita elegância, uma meia de leite preparada com leite de amêndoa e uma cookie de trigo alentejano com chocolate belga. Tudo perfeito, até que começo a escutar… TAC-TAC-TAC-TAC-TAC! Entra em cena uma personagem temida no meu bairro: o teclador frenético. Aquelas teclas do computador portátil são massacradas. E lá se vai a minha paz… ai, que saudades dos tempos em que as pessoas escreviam em caderninhos, com lápis que riscavam suavemente, e não com máquinas em formato portátil.
Telefonemas na “cabine das necessidades” – no último sábado, fui a um grande centro comercial onde vou com muita frequência. Uma visita rápida ao quarto de banho e o destino prepara-me (mais) um episódio. Entra uma senhora a falar ao telefone, entra na cabine… e continua a conversar como se estivéssemos num café. De repente, ouve-se o som do autoclismo e, como se fosse uma experiência imersiva, a “vizinha” anuncia:
—Sim, estou no quarto de banho.
E eu ali, involuntariamente transformada em figurante desta chamada telefónica.
Ai, que saudades dos tempos em que os telefones estavam presos às paredes e a privacidade era… normal.
Maratona do café na bomba de gasolina – há pessoas que vão abastecer o carro e decidem começar ali uma manhã de contemplação. Abastecem. Pagam. E depois? Deixam o carro estacionado na bomba enquanto vão tomar um café, lento e profundo. E eu? À espera!
Ir abastecer o carro deveria ser um processo rápido e simples. Infelizmente, pode transformar-se num teste aos limites da minha paciência.
Pronto, já desabafei. Sinto-me agora apta para me sentar no painel do programa de TV… Irritações!