22 de Maio de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Olá Pai

27 de Março 2026

Vejo-te marchar pela neve da Estrela,

O frio entranhava-se na tua roupa de pobre tingida.

Aos 11 anos lá ias, na senda do teu emprego, ofício de carpinteiro,

Com os teus sapatos esburacados de tanto caminhar.

 

Era preciso ajudar a família, trabalhar,

Pois a abundância não bastava.

Que tempos esses meu pai!

Onde não havia infância,

Tempos de pobreza inarrável,

Que dilaceravam o corpo e a alma.

 

Só por este quadro, granjeias o meu “inesquecimento”,

Consideração,

Veneração.

Apesar da neve quase não existir,

E a infância, hoje, persistir,

Com telemóveis e brinquedos a bulir,

As minhas memórias continuam a ver-te desafiar o frio agreste,

A considerar – te  herói!

Meu pai, por que será tanto tempo que já lá vai,

E ainda retorno tudo?

Bom Dia do Pai.


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