Vejo-te marchar pela neve da Estrela,
O frio entranhava-se na tua roupa de pobre tingida.
Aos 11 anos lá ias, na senda do teu emprego, ofício de carpinteiro,
Com os teus sapatos esburacados de tanto caminhar.
Era preciso ajudar a família, trabalhar,
Pois a abundância não bastava.
Que tempos esses meu pai!
Onde não havia infância,
Tempos de pobreza inarrável,
Que dilaceravam o corpo e a alma.
Só por este quadro, granjeias o meu “inesquecimento”,
Consideração,
Veneração.
Apesar da neve quase não existir,
E a infância, hoje, persistir,
Com telemóveis e brinquedos a bulir,
As minhas memórias continuam a ver-te desafiar o frio agreste,
A considerar – te herói!
Meu pai, por que será tanto tempo que já lá vai,
E ainda retorno tudo?
Bom Dia do Pai.