Não pensem os conimbricenses mais jovens que esta cheia do Mondego, foi única e das mais perigosas. Muitas outras houve, bem agressivas, que fizeram chegar ao dito Largo de Sansão grandes enxurradas, causando graves danos aos comerciantes e habitantes da zona. Chegou-se a andar de barco nesse largo e nas ruas da baixinha
As cheias do Mondego, por diversos motivos, sempre foram relativamente rápidas, com demoras entre a iniciação de cheia e o pique do caudal da ordem das poucas horas, sendo deste modo perigosas devido ao aumento brusco do nível de escoamento.
As cheias no rio Mondego aconteceram desde, pelo menos, o século XIV, lesando a vida de Coimbra e causando prejuízos inauditos. Registam –se as cheias dos anos 1331, 1788, 1821, 1842, 1852, 1860, 1872, 1900, 1915, 1962, 1969 e 1979, fora outras dos séculos XX e XXI. Muitas delas, dada a minha provecta idade, tive oportunidade de acompanhar.
“Numa frequência empírica pode verificar-se que as cheias designadas como importantes tiveram um período de retorno de 50 anos. Pode ainda verificar-se que nos dois últimos séculos, com a mesma análise empírica, as cheias importantes têm um período de retorno de 20 anos.” (Leia-se Wikipédia)
Mondego Meu, Mondego Nosso
Ó Mondego, Ó Mondego,
P´ró que te deu meu amigo;
Eu que estou sempre contigo,
Desta vez estou zangado,
Por esta enorme cheia, descorçoado,
P´la provação que deste à tua gente,
Ó rio foste muito pouco prudente.
Aldeias isoladas,
Estradas cortadas,
Bens destruídos,
Aluimentos sentidos,
Povoações esventradas,
Gentes desoladas.
Mas ó rio, tudo isto é culpa tua?
Não: é de quem descuida a tua manutenção;
É da política e dos políticos que longe estão,
Que prometem muito e pouco fazem.
Sabes, estão longe, vivem na miragem