29 de Abril de 2026 | Coimbra
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Casa Arménio: apesar dos tempos o negócio corre de feição

28 de Junho 2024

A Casa Arménio situa-se na Rua do Corvo, na Baixa da cidade de Coimbra e é, atualmente, gerida por Cláudia e Maria José Simões, mãe e filha.

A loja, existente há cerca de 26 anos, vende diversos artigos de roupa interior, sendo os pijamas a maior fonte de lucro.

Desde que abriu portas, a Casa Arménio tem vivido alguns altos e baixos, tendo sempre sobrevivido e, de acordo com Cláudia Simões, gerente da loja, “o negócio tem vindo a crescer. É um facto. Houve uma altura muito pior do que aquela que estamos a viver agora. Vemos mais alguma gente a vir à Baixa”.

Ainda assim há um grande problema na baixa citadina: apesar de as pessoas estarem mais interessadas em visitar o local, “faltam-nos lojas. Não lojas turísticas, mas o tipo de lojas que vendem coisas como se vê nos grandes centros comerciais, como a Zara ou a Lanidor, por exemplo. Nós precisamos dessas lojas”, revela Cláudia.

Negócio abrange clientes de todo o país

Cláudia e Maria José Simões concordam que, nos dias de hoje as pessoas têm tendência a procurar qualidade em vez de preços baixos e, portanto, o público-alvo do estabelecimento tem vindo a alterar-se um pouco nos últimos tempos.

Apesar de a quantidade de vendas não ser tão alta como dantes, a loja continua a vender e vão chegando sempre novos clientes, além daqueles que já são habituais.

Cláudia Simões acredita que o estabelecimento tem a vantagem de vender apenas artigos fabricados em Portugal, o que faz com que o público seja “fidedigno” e passe a palavra, atraindo mais pessoas à Casa Arménio.

Pessoas a partir dos 40 anos e mulheres grávidas são o tipo de cliente que mais compra artigos na loja de Cláudia e Maria José e não há dias em que não se venda nada, até porque o estabelecimento vende para fora de Coimbra, e até mesmo de Portugal. A Casa Arménio tem clientes de Setúbal, França e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), onde a roupa interior é cara. Também os emigrantes portugueses, quando vêm a Coimbra de férias, fazem questão de passar pelo estabelecimento para levar artigos em grandes quantidades.

Em conversa com O Despertar, Cláudia Simões confessa que o negócio ainda não tem site para encomendas, uma vez que os clientes que reservam artigos são já conhecidos da gerência, por terem o hábito de comprar sempre nesta altura do ano. A gerente confidenciou-nos “temos as medidas das pessoas e depois enviamos consoante as mesmas”.

As lojistas explicam que “este tipo de comércio é de proximidade e permite que as pessoas vão fazendo amizade umas com as outras. Há pessoas muito sozinhas e que têm necessidade de sair e falar com alguém, acabando por encontrar isso aqui nas lojas da Baixa”. Ora, isto acontece porque há mais relação entre o vendedor e o cliente, afirmam, uma vez que recebem muitos pedidos de opinião dos clientes que experimentam os artigos no provador.

Questionada acerca do melhor período de vendas, Maria José Simões (mãe), respondeu prontamente que “A melhor altura das nossas vendas é o Natal, sem dúvida nenhuma”. O negócio corre tão bem em dezembro que “a pior altura do negócio acaba por ser janeiro, porque as pessoas gastam tudo no Natal”. Também o mês de setembro é apontado pela vendedora como sendo menos boa, devido aos gastos que a população tem com as férias de verão.

Cláudia Simões explica que a Casa Arménio é muito procurada por causa dos artigos fabricados em Portugal e que antigamente, na altura da páscoa, iam à loja muitos turistas espanhóis para ver peças de roupa mas, muitas vezes, não compravam por, ao verem a etiqueta, perceberem que o artigo era 100% português.

Conta que, nos dias de hoje, a situação não é bem a mesma, dado que “os clientes vêm à procura daquilo que é nosso. E depois outra coisa, a qualidade do produto”.

Tendo em conta que em muitos países é usada mão de obra infantil para confeção das roupas, a lojista mostra-se satisfeita por apenas vender aos clientes peças de roupa “de fábricas onde só trabalham cidadãos maiores de dezoito anos e, além disso, mesmo que, por esse motivo, o artigo seja um pouco mais caro do que é habitual nos grandes centros comerciais, “tem qualidade e é 100% de algodão”.

O estabelecimento é de venda de artigos mas, caso o cliente precise de ajustar ou fazer a bainha das peças, as gerentes têm a quem recorrer, uma vez que “na Baixa há várias costureiras e como nós vamos conhecendo os colegas, vamos indicando aos nossos clientes onde devem ir fazer o arranjo e, assim, beneficiamos todos”.

Ação da APBC impulsiona turismo

A APBC, como é mais conhecida, é a Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. Como diz o nome, esta associação pretende erguer e promover a baixa citadinha, atraindo pessoas para o comércio tradicional. Tem-no feito através de diversas atividades.

Ainda assim, e mesmo com o esforço da APBC, as lojistas consideram que há um problema grave e de difícil resolução: “a má publicidade que as pessoas começaram a fazer da Baixa, o que é péssimo” e, na opinião de Cláudia, ainda existe a questão de as pessoas em Coimbra aderirem muito a modas, isto é, “vai tudo para os shoppings e, noutras cidades, como Lisboa, Porto, Braga ou Aveiro, as pessoas andam na rua, vê-se gente. Aqui não. Parece que não há pessoas. É como se não saíssem de casa”.

O problema vai-se amenizando na altura do verão e, sendo que estão à porta as Festas da cidade e da Rainha Santa Isabel, “vê-se que, realmente, vive cá muita gente”.

Cláudia e Maria José Simões consideram ainda que, pelo facto de atualmente o poder de compra ser menor em Portugal, as pessoas acabam por comprar roupa interior mais barata nos shoppings, uma vez que dão menos importância por ser roupa que se usa em casa ou vestida por baixo de outras peças.

Para Cláudia o turismo é uma questão de relevo porque considera que “se tivéssemos o cuidado de recuperar a parte histórica da cidade, íamos ter muito mais turistas porque, além de a cidade ser muito bonita, tem uma história igualmente marcante e é uma pena estar tudo tão mal aproveitado e cuidado”.

Confessa que, por a Casa Arménio ser uma loja diferente do habitual, continua a ter sempre clientes, mesmo que muitos deles sejam turistas.

A gerente realça o esforço que a autarquia e a APBC têm feito, mas lamenta o facto de as rendas das lojas rondarem os 1500 euros mensais, que “é imenso”.

Apoia a vinda de mais lojas para a Baixa, por forma a dar vida à zona, mas explica que os prédios deveriam ser arranjados “para dar logo outro aspeto” e que alguns podiam ser reconstituídos, “nem que as lojas fossem na vertical, distribuídas por andares”.


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