23 de Maio de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

TESTEMUNHOS – VIAGENS IX: A Mata do Choupal, o meu frondoso refúgio

30 de Novembro 2023

Sempre que está tempo bom, aí vou eu até ao Choupal, melhor dizendo, Mata do Choupal. Desfruto das minhas caminhadas em passo brando, descodificando a paisagem que as flanqueiam. É inebriante para a mente. Saio de lá com outra vontade de viver. E de ser.

Não fui nem sou só eu que se afeiçoou por esse frondoso refúgio. Também parte significativa da população da cidade, novos e velhos.

Nos tempos de antanho, o Choupal, foi muitas vezes, tantas vezes, caminhado, cantado, pintado, descrito, por poetas e escritores, estudantes e «futricas», pintores e romancistas, desportistas, que por ali encontraram o seu copado e indispensável silêncio. Não é por acaso que a sua rua principal, localizada na zona central da Mata, se apelida de rua do Estudante .

O Choupal, é, na realidade, um lindo e frondoso bosque, percorrido por uma avenida central, veredas e caminhos copados, bem escondidos no meio da densa e exuberante folhagem, – um estrado herbáceo, onde se pode exercitar o corpo, a mente e a criatividade.

Quem for ao Choupal confronta-se, a todo o instante, com o paradigma do que é «eu ser eu»; das vivências do momento, dos sons que se escutam, das imagens que bem-fazem aos nossos olhos, das sensações que afloram à nossa pele, dos cheiros, dos sabores.

Chegou a altura de nos perguntarmos: mas porquê o topónimo Choupal? A Mata está profundamente ligada às acções desenvolvidas em finais do séc. XVIII, para quebrantar os efeitos decorrentes do assoreamento do Rio Mondego. Por essa altura, o choupo, uma espécie de rápida medrança, prevaleceu relativamente às outras espécies. Daí deriva o nome porque hoje é conhecido- O Choupal é também o parque de Coimbra com maior diversidade animal. De espécies de aves, principalmente. São mais de 65 espécies, na sua maioria, protegidas por convenções internacionais de protecção à fauna selvagem. Não admira, pois, que nesta Mata, seja possível observar uma das maiores colónias de milhafre-negro da Europa.

Destaque ainda para a observação frequente de garças vermelhas, garças reais, galinhas de água , mergulhões, patos reais, guarda – rios, melros e tantos e tantos outros. Alguns estão presentes em muitos dos valeiros inundados da mata.

O chilrear de muitos deles chega ao meu ouvido com o simbolismo de orquestra, que ajuda a caminhar, sempre caminhar.

Caminhar, caminhar,
Pelo Choupal andar, andar.
Pelas suas veredas passar,
Nos seus valeiros espreitar,
Nos caminhos copados parar.
P ́ra escutar o melódico chilrear,
Dos pássaros afinados,
Com os trinados,

Que me fazem, sempre, sempre voltar.

[para saber isto e muito mais, consulte ICNB, IP – INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DA BIODIVERSIDADE].

Caminhando P’lo Choupal (Foto, Inácio Nogueira)


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