Sempre que está tempo bom, aí vou eu até ao Choupal, melhor dizendo, Mata do Choupal. Desfruto das minhas caminhadas em passo brando, descodificando a paisagem que as flanqueiam. É inebriante para a mente. Saio de lá com outra vontade de viver. E de ser.
Não fui nem sou só eu que se afeiçoou por esse frondoso refúgio. Também parte significativa da população da cidade, novos e velhos.
Nos tempos de antanho, o Choupal, foi muitas vezes, tantas vezes, caminhado, cantado, pintado, descrito, por poetas e escritores, estudantes e «futricas», pintores e romancistas, desportistas, que por ali encontraram o seu copado e indispensável silêncio. Não é por acaso que a sua rua principal, localizada na zona central da Mata, se apelida de rua do Estudante .
O Choupal, é, na realidade, um lindo e frondoso bosque, percorrido por uma avenida central, veredas e caminhos copados, bem escondidos no meio da densa e exuberante folhagem, – um estrado herbáceo, onde se pode exercitar o corpo, a mente e a criatividade.
Quem for ao Choupal confronta-se, a todo o instante, com o paradigma do que é «eu ser eu»; das vivências do momento, dos sons que se escutam, das imagens que bem-fazem aos nossos olhos, das sensações que afloram à nossa pele, dos cheiros, dos sabores.
Chegou a altura de nos perguntarmos: mas porquê o topónimo Choupal? A Mata está profundamente ligada às acções desenvolvidas em finais do séc. XVIII, para quebrantar os efeitos decorrentes do assoreamento do Rio Mondego. Por essa altura, o choupo, uma espécie de rápida medrança, prevaleceu relativamente às outras espécies. Daí deriva o nome porque hoje é conhecido- O Choupal é também o parque de Coimbra com maior diversidade animal. De espécies de aves, principalmente. São mais de 65 espécies, na sua maioria, protegidas por convenções internacionais de protecção à fauna selvagem. Não admira, pois, que nesta Mata, seja possível observar uma das maiores colónias de milhafre-negro da Europa.
Destaque ainda para a observação frequente de garças vermelhas, garças reais, galinhas de água , mergulhões, patos reais, guarda – rios, melros e tantos e tantos outros. Alguns estão presentes em muitos dos valeiros inundados da mata.
O chilrear de muitos deles chega ao meu ouvido com o simbolismo de orquestra, que ajuda a caminhar, sempre caminhar.
Caminhar, caminhar,
Pelo Choupal andar, andar.
Pelas suas veredas passar,
Nos seus valeiros espreitar,
Nos caminhos copados parar.
P ́ra escutar o melódico chilrear,
Dos pássaros afinados,
Com os trinados,
Que me fazem, sempre, sempre voltar.
[para saber isto e muito mais, consulte ICNB, IP – INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DA BIODIVERSIDADE].

Caminhando P’lo Choupal (Foto, Inácio Nogueira)